quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Polícia Militar é um órgão autônomo !

O Secretário da Segurança Pública não tem - como nunca teve - ascendência sobre a Polícia Militar. Já de décadas, o denominado chefe da polícia - mais parece a rainha da Inglaterra - reina, mas não manda. Quando muito, mantém algum controle sobre a Polícia Civil - certamente, pelo seu caráter semelhante ao do seu Gabinete. A Polícia Militar somente se deixa mandar pelo SSP, quando lhe convém. Ocorre nos momentos de críticas e sob impacto de fatos desabonadores para as suas cores ou quando pretende obter alguma vantagem pecuniária para seus componentes e/ou para garantir qualquer outro tipo de benefício ou favor governamental. Agora - neste momento - durante a discussão de projeto de lei que reconhecia a carreira de delegado de policia-estadual, como integrante das carreiras jurídicas previstas na constituição federal e estadual, de forma ostensiva assistimos uma verdadeira "quartelada" - tão comuns em outros momentos da história nacional. Oficias da ativa e inativos - até mesmo o seu comandante-geral - se insurgiram contra a medida e ameaçaram, até empregando uma expressão chula "todos sambam ou ninguém samba" , anunciando uma força política correspondente a 600 mil eleitores. Consta que durante os dias que antecederam a discussão, o comandante-geral não atendeu o secretário da segurança pública. O fato penas deflagrou situação pré-existente ! É sabido que a Polícia Militar se reporta diretamente ao Governador do Estado - quando exigido - através da Casa Militar. Ordinariamente, atua sponte sua ! Curioso é que a Polícia Militar, quando se arvora em força militar, goza e exige tratamento e benefícios assemelhados com os concedidos aos integrantes das Forças Armadas - Exército, Marinha e Aeronaútica. Geralmente, regra geral, consegue e os acumula ! Embora estando na mesma vala administrativa - no tocante à remuneração - a Polícia Civil e a Científica não usufruem do mesmo tratamento isonômico. Assim, mais uma vez assistimos a Polícia Militar ganhar literalmente no grito - desta vez em detrimento dos delegados de polícias que há muito propugnam por esse reconhecimento legal. Acabaram obtendo melhoria em seus vencimentos acostados a uma nova situação esdruxula - projeto de lei-substutivo - fundada no perfil autoritário de sua origem e na mesquinhez de sua cúpula e, felizmente, na sua incapacidade de obter a unificação e comando das polícias estaduais. A carreira jurídica reclamada pelos delegados de polícia, fundada em razões de fato e de direito, já que ocupam cargo - como os juízes, promotores e procuradores do estado - privativo de bacharéis em ciências jurídicas e sociais, ficará para outra ocasião - quiçá através do Poder Judiciário, como já ocorreu em outras unidades da federação. Ainda falam em unificação das polícias ? Digam ao povo que não !

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

É, se você não tivesse somado tanto . . . !

A crônica "Não é para somar, é para dividir", publicada no jornal "Folha de São Paulo" (30/8), revela uma leitura da figura do presidente Luiz Ignácio, nunca dantes mostrada pela jornalista Eliane Cantanhêde. A festejada profissional, como outros tantos formadores de opinião, nos últimos quatro anos parecia tomada de uma letargia mental e desprovida de senso crítico, quando se referia aos atos do presidente e/ou avaliavam seu comportamento e as práticas, inconfessáseis, adotadas por seu governo, sempre envolvendo petistas de alto coturno com desmando, aparelhamento do estado e corrupção. Salvo engano, seu texto nos revela Cantanhêde um tanto preocupada com o "andar da carruagem". Outros também já o fizeram - o ex-ministro Cristovam Buarque, nos aponta a direção do "chavismo". Até mesmo Kotscho, seu amigo e colaborador, sinaliza para a visão, um tanto estranha do presidente que se acha "ídolo de si mesmo". Outra distorção de caráter e de personalidade, se manifesta quando Luiz Ignácio se julga perseguido e discriminado por uma elite - mais ou menos igual às "forças ocultas" invocadas por Jânio - que não identifica. Como se reune amiúde com banqueiros, empresários e intelectuais. Pergunta-se:- onde está essa elite, que tanto o incomoda e perturba? No congresso, que manteve sob controle mediante paga ou na oposição, que se mostrou incapaz de exigir o seu afastamento, diante das graves denúncias envolvendo sua administração, amigos, colaborares, corregionários, até mesmo, familiares. Lamentavelmente, a "Folha de São Paulo" e, particularmente, uma plêiade de profissionais, formadores de opinião e detentores de espaços expressivos em nossos meios de comunicação - como é o caso da jornalista - por identificação ideológica e/ou outros interesses inconfessáveis, de forma descarada aderiram a essa forma de governar e colaboraram para tornar a população brasileira, um conjunto de cidadãos ignaros - totalmente alheios à nossa realidade política e crentes num futuro irreal prometido pelo messias. Agora, a jornalista se propõe a desenvolver a tese da "dissensão" - figuras proeminentes da oposição estariam sendo atraídas para um projeto de governo, pós 2010 - com propósito de dividir a força concorrente e, aparentemente, imbatível no futuro. É preciso reconhecer que, em outros momentos, a cronista Eliane Cantanhêde já nos deu mostra de sua capacidade profissional, cultura, conhecimento e disposição para descrever situações e momentos da política nacional, sem perder a isenção e o senso crítico, indispensável ao bom jornalista. Mas. lamentavelmente, durante o governo petista nos apresentou - por demais adesista. A história é implacável e, mais adiante, haverá de cobrar-lhe alguma parcela de responsabilidade - em concurso com outros tantos formadores de opinião - por ter "somado tanto ... , " com um governo corrupto !

O pretor promete recolher-se !

O jurista Tomaz Bastos anuncia que vai deixar o governo no final do ano. Presume-se que retorne à sua rendosa banca de advocacia, de onde efetivamente nunca se afastou completamente. Vide episódio explícito de advocacia administrativa, captação de clientela para amigos e defesa explícita de uma administração corrupta. Imaginem ! Se antes, sem conhecer profundamente os meandros do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, o advogado Tomaz Bastos já conseguia verdadeiros "milagres". Lembram-se do caso da "goma de mascar" - conseguiu unificar as investigações na Polícia Federal, sem socorrer-se do Poder Judiciário e, tampouco, houve alguma incidental para dirimir conflito de competência ou seria de atribuições. Com isso, o assunto foi para as calendas - como diria o Ministro Marco Aurélio - e nunca mais foi notícia de jornais. Certamente, o jurista Tomaz Bastos retorna para sua vida normal, com muito mais experiência - principalmente das coisas e situações que cercam o poder !

Cadê o Marco Aurélio falastrão ?

O ministro Marco Aurélio surpreendeu - pela omissão - durante o programa "Roda Viva". De imediato sugeriu que vai defender o trânsito em julgado de sentença condenatória para indeferir o registro ou suspender a diplomação do candidato corrupto. Nem parecia aquele valente tribuno que, durante o governo FHC. emitia opinião sobre tudo e sobre todos. Quando tinha oportunidade, não hesitava em colocar obstáculos à administração federal, concedendo medidas liminares, até mesmo contra assuntos em discussão no congresso. Ou quando soltando banqueiro fraudador - italiano Cacciola, do Banco Marka, colocou em cheque o Banco Central. Foi também o caso da reforma da previdência ! Agora, como presidente do TSE - se não ignora, pelo menos se esquiva de responsável e tutor das eleições de outubro / 2006. Contrariando o Código Eleitoral e legislação complementar não assume que é a Justiça Eleitoral a detentora exclusiva do Poder de Polícia, no âmbito eleitoral. É dela a iniciativa de qualquer investigação policial sobre ilícito de cunho eleitoral. É a polícia que apenas age quando acionada pelo Poder Judiciário e/ou Ministério Público, e não o Juiz Eleitoral com o ilustre jurista adiantou. Foi lamentável e frustou nossa expectiva. Esperávamos mais do alagoano porreta !

Criatura extingue criador !

É sabido que o PT e suas lideranças mais expressivas surgiram no movimento sindical do ABC, mais precisamente aglutinando trabalhadores da indústria automobilística. Mas, parece que o petismo alimenta uma aversão pelos fabricantes de automóveis. Primeiro, foi o petista Olívio Dutra, quando governador gaúcho, escorraçou do seu terreiro a fábrica que a Ford implantava naquele estado. A Bahia do ACM acabou agasalhando a unidade que hoje representa moderna indústria automobilística. Agora, quando o petismo desgoverna o país, a maior fábrica de veículos nacional está na iminência de fechar suas portas - ameaçando de desemprego mais de cinco mil trabalhadores. Para exemplificar esses episódio, somente parafraseando Cesar, o ditador romano - "Tu quoque, Brutus, fili mi !"

MUDANÇAS SÃO SEMPRE SAUDÁVEIS

Como experiência pessoal, profissional e familiar, as mudanças são sempre saudáveis e, geralmente, nos trazem novas motivações, ao mesmo tempo que nos fazem desfazer de velhos hábitos e das tralhas que vamos acumulando pela vida.

A maioria das pessoas não gostam, preferem permanecer em seus nichos, preservando o que é bom do nosso cotidiano - incluindo, lugares, pessoas, costumes e coisas. Outras, infelizmente, apenas se acomodam no marasmo de uma rotina repetitiva e desgastante, sem maiores perspectivas até mesmo no campo profissional.

Como exemplo vamos recuperar as últimas inovações administrativas, na área da segurança pública, que a cidade de Piracicaba recebeu nos últimos tempos.

A Polícia Militar sediando um novo comando de área, logo deu asas à criatividade, constituindo um corpo de policiais femininos para prevenir e acompanhar os crimes contra as mulheres e crianças. Ao lado disso, pesquisou e catalogou nada menos que 33 integrantes do PCC em sua região administrativa, logicamente para mantê-los sob observação e controle.

Enquanto isso, a Polícia Civil - ainda com seu novo departamento engatinhando - logo efetivou o seu delegado seccional, com vista a implementar dinamismo em sua atuação operacional.

Os sinais de mudança são evidentes e ensejam novas expectativas. O próprio noticiário policial, tem revelado expressivas realizações no campo preventivo e repressivo. As delegacias especializadas, como representando uma competição saudável têm se revezado em operações exitosas.

Ao contrário da Polícia Militar, que desfruta de boa estrutura física - fruto do trabalho e empenho de sucessivos comandantes - a Polícia Civil, já de longo tempo, vem sofrendo com as dificuldades para acomodação de seus unidades. Em geral utilizam-se de prédios adaptados e que, em geral, não oferecem condições satisfatórios de funcionalidade para a complexa atividade relacionada com a polícia judiciária e outras atribuições da corporação.

Não poderia deixar de enfatizar uma admiração espontânea pela Guarda Civil de Piracicaba - sempre presente e colaborativa, mesmo prescindindo da indispensável e sempre buscada atribuição constitucional. Sua atuação tornou-se indispensável, no âmbito do município de Piracicaba, para o sucesso de qualquer programa ou operação policial - tanto no serviço preventivo, como na repressão !

Certamente, o que as três corporações possuem de mais valioso e, imprescindível para os seus misteres, é o conjunto de policiais que as compõe. Com raras exceções, seus quadros são compostos de profissionais da mais alta capacidade, homens de bem e cidadãos honrados, em sua expressiva maioria imbuídos da dignidade e responsabilidade que seus cargos lhes conferem.

Na medida do possível, mesmo não contando com os meios necessários; muitas vezes sem a orientação e retaguarda segura do seu corpo diretivo e nem sempre recebam o reconhecimento da comunidade, permanecem em seus postos e prontos a oferecer o melhor de seus esforços - até mesmo a saúde e a vida - para garantir a segurança pública, em seu sentido mais amplo !

As mudanças são saudáveis e sempre bem vindas, mas esse pessoal merece o nosso respeito e admiração !

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

FESTIVIDADES DA SEMANA DA PÁTRIA

Durante a nossa caminhada matinal ? eu e a Orminda ? somos levados pelo som de uma fanfarra ensaindo, ainda desordenada em seus acordes, e despertados para a proximidade do feriado nacional de 7 de setembro ? Dia da Independência !

O prefeito municipal promete recuperar as calçadas da orla que foram danificadas pela última ressaca, enquanto nós vamos nos organizando para receber o caçula Gustavo, sua meiga Raquel e o nosso neto Rafael, de 7 anos, já alfabetizado e leitor assíduo do Monteiro Lobato.

Então o pensamento, como nos versos de Lupicínio Rodrigues que "parece uma coisa à-toa, mas como é que a gente voa quando começo a pensar ... ", me leva - ou seria, enleva - para os tempos de grupo escolar. Primeira turma do "Virgínia Ramalho", no seu prédio novo da rua Gaspar Ricardo e depois no tradicional "Jacinto Ferreira de Sá", na rua nove de julho - onde antes eu já havia frequentado o "jardim da infância".

Meu diplona foi assinado por José Maria Paschoalick, então seu diretor e eu o ostento com orgulho na parede do escritório. Professor emérito, exemplo de homem público e cidadão embuido de sentimento de nacionalidade, liberdade e princípios democráticos que nos transmitia semanalmente, durante a cerimônia de hasteamento da bandeira.

Lembro que nesse periodo, a cidade se envolvia nas festividades da "Semana da Pátria". Certamente, os estudantes eram os mais motivados, diante da possibilidade do desfile cívico - mais especial quando escolhido para integrar a fanfarra - disputas esportivas e concurso de "canto orfeônico", transmitido pela ZYS7 - Rádio Clube de Ourinhos.

Cartazes eram distribuidos e fixados em locais de destaque, com anúncio dos principais eventos. O comércio se engalanava, as bandeiras eram hasteadas nos prédios públicos, bancos e estabelecimentos industriais e comerciais de maior expressão.

Mas nada superava a rivalidade existente entre o "grupão" - Jacinto Ferreira de Sá - e o "grupinho " - Virgínia Ramalho, quer nas disputas desportivas, como no concurso de melhor "canto orfeônico".

No que diz respeito aos desfiles, o Colégio Santo Antônio, com predominância feminina, era quase imbatível - pela organização e beleza plástica de suas apresentações - sempre sob o comando seguro do "Cabo Arlindo".

As singelas corridas "do saco" - onde o atleta era obrigado a percorrer certa distância com as pernas enfiadas num saco de linhagem - ou "do ovo" - logicamente, o vencedor era quem chegasse em primeiro lugar, desde que mantivesse um ovo de galinha equilibrado na colher de sopa. Eram disputadíssimas e sempre acompanhadas por frenéticas torcidas organizadas, entoando seus versos - sempre provocativos, mas desprovidos de conteúdo ofensivos.

Pela manhã os estudantes eram mobilizados para o hasteamento da bandeira na Praça Mello Peixoto, acompanhado do canto do Hino da Independência (já podeis ... !). À tarde, praticamente todas as casas, sintonizavam a Rádio Clube de Ourinhos para ouvir a apresentação dos alunos - sempre sob a competente regência da professora Carmen (ou seria Alice) Abujamra. As escolas se revesavam nos dias da semana para essas participações. Guardo ainda, com o sabor de saudade, a minha última participação nos "jogos da semana da pátria". Foi no "monstrinho" representando o Tiro de Guerra no futebol de salão. O ginásio lotado, depois delirou com as meninas do Colégio Santo Antonio. A estrela do time de volei e basquete era uma religiosa, ainda noviça !

Com o decorrer do tempo, as mudanças absorvidas pelo conjunto da sociedade brasileira, com introdução de novos valores e outra concepção de vida; usos e costumes enraizados em nossa cultura foram se perdendo e somado aos descasos e frustações com sucessivas lideranças na governança das nossas cidades, estados e país, acabamos sucumbindo ao dissabor da descrença e desprezamos valores indispensáveis à unidade de um país, como nação !

Mesmo assim, neste 7 de setembro de 2006, ainda há muito a ser relembrado e comemorado. Registramos o Cinqüentenário do jornal "Folha de Ourinhos", o mais antigo periódico da cidade e região. Nada mais oportuno que homenagear a figura do senhor Miguel Farah, seu criador e fundador, destacando sua dedicação e luta em prol da democracia e na defesa dos valores nacionais !

domingo, 27 de agosto de 2006

Assim, fica cada vez mais difícil derrotar Lulla !

Sem embargo, sobre a origem da onda de violência imposta pelo PCC, há que se detectar sua exploração política pelos petista. Primeiro, aproveitando - digamos - a vulnerabilidade do governador Lembo, o governo federal mandou seu mandarim oferecer ajuda federal. Repelida, até certo ponto com veemência, a União lançou mãos dos comandantes militares da área. Como nos tempos da redentora, o governador e seu staff foram convocados para reunião no quartel. Sob promessa da não exploração político / eleitoral do episódio e sua difícil resolução pelo Estado, dali saiu um arremedo de acordo para colaboração - logicamente, de interesse político do governo federal - e promessa de ajuda financeira para reconstrução dos presídios. Ao contrário do prometido, nas primeiras semanas da campanha - como já era esperado - os candidatos petistas , de forma descarada e sem qualquer sensibilidade, exploraram os atentados contra os órgãos públicos e privados, impondo aos 12 anos de governo peessedebista o ônus de sua ocorrência. Depois veio o assédio descarado aos prefeitos municipais - mediante promessas de toda ordem, quando não ameças de represália com cortes de verbas - para aderirem à campanha da reeleição do presidente. Prometem reunir 1.500 prefeitos, de todas as matizes políticas, em Brasília. Agora, é a igreja do cardeal-arcebispo Dom Claudio Hummes - simpatizante das cores petistas - amigo de Luiz Ignácio de longa data, que se apresenta para o serviço final. Promove e deflagra uma campanha - no âmbito de sua igreja - contra a violência e pela paz. Evidente que está a serviço da reeleição de Lulla. Relembrar os lamentáveis episódios ocorridos, neste momento político, serve apenas à sua exploração política - como quis, desde o início, o governo federal. Indaga-se:- "Não seria mais oportuno, como já demonstrou a CNBB, denunciar os corruptos envolvidos no "mensalão", "valerioduto", "vampiros", sanguessuga", "dolares na cueca", "aparelhamento do estado pelos petistas", orientando os crédulos da sua igreja a votar com consciência cívica - mesmo não dando nome aos bois? Ou é melhor mantê-los, como sempre, temerosos da ira dos poderosos e promessas vãs de uma redenção incerta ?
(Diário de Assis (29/08/2006)

sábado, 26 de agosto de 2006

A ESCOTEIRA E O CABOSO !

Com a ousadia de um jovem "escriba" ? ainda que caminhado nos anos - mais uma vez vou me aventurar num assunto dominado pelo ilustre saltograndense Dr. João de Souza, mestre na arte de escrever e versado em ferrovias, com seus ricos e brilhantes personagens, que todos nós deleita semanalmente através da Folha de Ourinhos.

Anteriormente, já me aventurei numa área que o Dr. Oswaldo Perino, amigo e parceiro de coluna no mesmo jornal, revelou-se profundo conhecedor - que é do futebol ourinhense!

Mais uma vez, recorrendo às lembranças de uma infância e adolescência, vividas em grande parte caminhando e brincando entre os desvãos do "viaduto" - passarela para pedestres sobre a ferrovia, ligando as duas partes da cidade - ou por entre os trilhos e vagões da saudosa Estrada de Ferro Sorocabana.

Para o leitor comum, particularmente para os mais jovens, as duas expressões que dão título ao texto, podem parecer estranhas e até mesmo exóticas, sem qualquer sentido prático ou de aplicação ordinária ? por estranhas aos seus vocabulários.

No entanto, para os ferroviários - como é o caso do Dr. João de Souza e outros como Sílvio Pontara, Sebastião Faria, Paulo Toledo ... - ou para quem tenha vivenciado o dia-a-dia de nossas estações e o movimentar das suas intermináveis manobras, as duas palavras podem soar familiares por dizer respeito ao seu cotidiano e experiência de vida profissional.

Ao contrário do que muitos possam adiantar, "escoteira" - nesse caso- não diz respeito ao feminino de escoteiro. A palavra simplesmente é empregada para indicar que uma locomotiva trafega isoladamente, sem tracionar ou empurrar vagões. Em geral costumam desenvolver maior velocidade - já que trafegavam sem tração - e, geralmente, apitando estrepitosamente, de forma mais insistente, pedindo passagem e alertando de sua aproximação.

Já a expressão "caboso", longe de assenhorar-se à fala de militar, no linguajar dos ferroviários definia o último vagão de uma longa composição de carga. Exibiam-se pintados na cor branca ou cinza bem claro. Dispondo de acomodações para o chefe-do-trem e seu ajudante; um arremedo de cozinha e, ainda, transportando equipamentos de comunicação para serem utilizados em caso de emergência, além dos lampiões empregados nas manobras e quando na cor vermelha sinalizando o final do trem.

A imagem que trago da "escoteira", em geral com prioridade de passagem na busca de uma composição isolada ou até mesmo para prestar algum tipo de socorro, seria semelhante a de uma moça fagueira, toda espivetada, passando a exibir seus atributos e distribuindo risos e "gritinhos" estéricos, como a anunciar-se como mulher.

Por outro lado, com sua aparência de ancião, o "caboso" se apresentava num trafegar trôpego - as composições de carga em sua cauda aparentavam ainda menor velocidade que a desenvolvida por sua locomotiva - como a zelar por sua prole, representada pela seqüência de vagões que se adiantavam a ele. Cabia aos ocupantes do "caboso" vigiar pela segurança e integridade da composição durante a viagem. Fiscalizar e acompanhar as manobras, de tal forma a assegurar a distribuição de suas cargas em seus respectivos destinos. E, com seus equipamentos de comunicação, numa situação de emergência - acidente ou avaria - enviar mensagem para a estação mais próxima.

Certa feita, entre o antigo matadouro municipal e a estação, deparei com um trem de carga parado. Havia atropelado algumas reses que, por negligência do dono, acabaram invadiram o leito da linha férrea. Pude então assistir os ocupantes do "caboso" - com criatividade e muita prática - utilizarem-se do equipamento que traziam consigo e ali mesmo realizarem sua conexão com a linha física do telégrafo que margeava os trilhos.

Através do código morse - atentem para a alta especialização dos ferroviários de então - cuja linguagem se restringia ao emprego do ponto e traço, comunicaram-se rapidamente com a estação de Ourinhos, informando-a sobre a interrupção da viagem e condições do local do acidente.

Dessa forma, cada um de nós à sua moda, vai contribuindo para preservação da nossa memória e resguardando valores e informações indispensáveis à compreensão da formação sócio / cultural desta comunidade e região !

Morte de lider sindicalista não surpreende mais!

É do conhecimento público que a área sindical relacionada com o transporte - principalmente, os rodoviário público - é de alto risco, embora as ameaças, intimidações e violências se manifestem, praticamente, em todas as organizações. Nos últimos anos foram registradas incontáveis assassinatos, poucos de autoria conhecida e muitos praticados por desconhecidos - como esse no Rodoanel - sempre vinculados à disputa do poder no âmbito de cada sindicato. Lembramos que essas mortes não se restringiram à capital do estado, ocorreram também em Guarulhos, Piracicaba e região do ABC, em mais de uma oportunidade. Certo momento, quando as mortes se tornaram mais sistemáticas, figuras expressivas dessa área de intensa atuação político / sindical, chegaram a ser presos provisoriamente. Como sempre acontece - em questões judiciais dessa natureza - os julgamentos ficaram para as calendas e não se tem notícia da condenação dos envolvidos, certamente nenhum deles permaneceu preso. E, por mais incrível que possa parecer, continuam a atuar - as vezes de forma velada, nos bastidores - mas sempre a imperar nesse submundo onde giram os nossos sindicatos - mesmo naquelas entidades mais representativas e aparentemente melhor organizadas. Nessas ocasiões, as injunções políticas acontecem e sua
capacidade de ameaçar, interceder e interferir em decisões - inclusive na esfera do judiciário - são conhecidas do grande público. Democracia nesse meio não existe, prevalecem as lideranças mais ousadas e, geralmente, predomina o poder do grupo mais violento - nem sempre os mais representativo, voltado para o interesse da classe. Certamente, os mortos não falam, cabendo aos sobreviventes denunciar!

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Aí está - Lula queria ver o Brasil igual as Casas Bahia!

Meses atrás o presidente Luiz Ignácio, quando participava da inauguração de um unidade de distribuição das Casas Bahia, mencionou que gostaria de ver o Brasil administrado como aquela organização comercial. Durante a semana foi noticiado que a Receita Federal obtinha a maior arrecadação da sua história - perto de 38% do PIB no exercício de 2005. A par disso - ou seria consequência ? - o índice de desempregados aumentou consideravelmente e o movimento do comércio caiu. Agora, a direção das Casas Bahia vem a público para anunciar fechamento de lojas e demissão de 2.000 empregados, em decorrência da queda de vendas - atribuindo essa situação ao empréstimo consignado, que esgotou a capacidade de endividamento do aposentado. Seria oportuno cumprimentar o nosso presidente por ter conseguido administrar o Brasil nos moldes das Casas Bahia. E ouvir o ministro Mantega dizer "não fui eu ..."

"CADÊ O RADINHO VERDE DO MEU PAI ?"

O velho policial, morava na avenida 9 de julho e nas tardes de domingo costumava sentar-se confortavelmente junto à grade de sua casa e ali passava horas ouvindo as transmissões esportivas, num pequeno rádio portátil.

Era seu hábito colocar o "radinho verde" entre as grades de ferro, enquanto manuseava o seu cigarro de palha que insistia em manter-se apagado.

A tarde caia e com o frescor que a proximidade da noite sempre traz, o calor amainava e bom amigo acabava "passando por um cochilo" - não diria dormindo, já que o policial nunca dorme.

Numa dessas ocasiões, algum "ladrãozinho" incauto, mas audacioso, por desconhecer as qualidades daquele cidadão e a existência de seus descendentes - que insistiam em trilhar o caminho do pai - não hesitou em subtrair o "radinho verde" que se oferecia por entre as grades, junto da calçada, enquanto seu dono dormitava.

Honra seja feita !

Os filhos do velho policial, indignados com a ousadia do ladrão, não se quedaram - jurando prender o ladrão e recuperar o rádio, tão logo souberam do furto, sairam no encalço do seu autor.

Era uma afronta àquela dinastia de bons policiais! Todos os marginais da cidade os conheciam e sabiam da sua forma de agir. Rigorosos no cumprimento da lei, mas corretos e humanos no trato com os investigados, incluindo aí os pequenos ladrões. Como aquele que, inadivertidamente, acabou levando o "radinho verde" de estimação do patriarca da família.

A partir daquele dia, todos os suspeitos e ladrões que passavam pela Delegacia de Polícia, o experiente investigador dele se aproximava e baixinho, quase sussurando perguntava:- "Cadê o radinho verde do meu pai" ?

Não consta que o rádio portátil do doce e querido Oswaldo Maio Nogueira, cidadão honrado, chefe de família exemplar e carcereiro de polícia dedicado e humano - chegava a levar sopa para algum preso doente - tenha sido recuperado.

Conhecer e conviver com o senhor Oswaldo, além de uma honra, se traduziu em lição de vida !

Voto do Peluso no HC do Edmar - leia-se Banco Santos

Diante da revogação da prisão preventiva do banqueiro Edmar Cid Ferreira, cabe consignar que na legislação penal brasileira não existe a previsão legal da figura do depositário fiel. Por isso, sempre observei e reputo como boa cautela que os objetos e mais provas apreendidas durante a persecução criminal sejam, de imediato removidas para longe da esfera de vigilância e influência do seu detentor - no caso do acusado. Portanto, não vejo como aplicar a prisão civil - sugerida pelo ministro Peluso - contra Edemar. Por outro lado, acredito ter ficado demonstrado que a "conveniência da instrução criminal" - segunda figura do artigo 312 do CPP - estava presente para justificar o decreto da custódia provisória, já que o preso subtraiu provas apreendidas no feito, prejudicando sobremaneira a apuração dos fatos. Infelizmente, o réu não é pessoa comum do povo e não poderia continuar sofrendo as agruras do cárcere. Cabe lembrar, que não foi esta a primeira e muito menos a única decisão polêmica do ministro Peluso. Recentemente, rejeitou a reabertura de uma praia - área de domínio público - em Guarujá-sp. Sabe-se da sua vivência nestas bandas do litoral - aliás, também refúgio do ministro Tomaz Bastos, que participou da sua escolha para o STF. Agora, apenas se espera que não se repita com Edemar Cid Ferreira, a mesma situação criada quando do favorecimento prestado ao banqueiro intaliano Cacciola, do Banco Marka - fugiu e frustou a aplicação da lei penal. Além disso, é oportuno o registro. O banqueiro Edemar é santista, inclusive homenageou sua cidade dando nome ao Banco Santos. Resume-se tudo numa "baita coincidência" ou ... !

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

PF - descartou o coringa !

Há que se aplaudir e louvar as últimas ações realizadas pela Polícia Federal. Embora vinculada e subordinada a um governo - diria, comprometido com mazelas e falcatruas - vem, pontualmente, atuando de forma competente. Lamentavelmente, seus feitos vem sendo explorados - forma de marketing - desse mesmo governo. Mas nada nesse mundo é perfeito. Apenas para quem conhece os meandros da "persecução criminal" sabe o quanto é difícil levar a bom termo - no sentido de concluir, satisfatoriamente, investigações complexas - as inúmeras operações deflagradas, praticamente, em todo território nacional. Desconheço a estrutura e capacidade operativa da Polícia Federal, mas sabe-se de suas limitações em atuar nas mais diferentes frentes de trabalho. As prisões são realizadas às dezenas, apreensões de veículos, computadores, documentos e provas são efetivadas, mas o corolário das investigações, mediante propositura de ações criminais e as esperadas condenações, não acontecem na mesma proporção - poucos ou quase nenhum dos envolvidos permanecem presos. Se assim não fosse, pelo menos alguns inquéritos policiais já deveriam estar concluidos de forma a permitir a ação do ministério público. São casos exemplares, como do Waldomiro Diniz, assessor da Casa Civil e coordenador político do governo, flagrado extorquindo "bicheiro" em nome de favorecê-lo em licitação junto a CEF. A ação de Delúbio Soares, mancomunado com José Genoíno, altos próceres do PT, realizando operações bancárias fraudulentas, não mereceram da Polícia Federal o mesmo empenho e dedicação no sentido de resguardar indícios e provas - não se tem notícia de buscas realizadas, ...prisões ... nem pensar . . - que certamente farão falta durante a persecução criminal proposta pelo ministério público. A conduta de Silvio Pereira, mais conhecido como "Silvinho do PT", surpreendido na posse de um jeep Land Rover obtido através da prática de ilícito - não se tem notícia de inquérito policial e muito menos qualquer diligência levadas a efeito com vista a incriminá-lo. "Silvinho" comportou-se como aquele indivíduo surpreendido levando um porco, tomado do chiqueiro do vizinho, que alegou:- "quem colocou esse bicho no meu ombro". Nem mesmo o jeep abandonado pelo dirigente petista - prova material do ilícito - parece ter despertado a atenção da PF e muito menos sua ostentação patrimonial, clara demonstração de enriquecimento sem causa. Assim, diante da incongruência em suas ações de ofício, podemos apenas encontrar alguma explicação num dito bem popular:- "A Polícia Federal, nessas ocasiões, descartou o coringa" ! Se foi de propósito ou não, somente a história vai nos revelar.
(Jonal de Piracicaba (29/08/2006)

"Não fui eu" - diz Mantega !

No governo petista a oração negativa tornou-se regra - praticamente um mantra - e foi assim que o ministro da fazenda Guido Mantega ao afirmar "não fui eu" quis se justificar diante do aumento da carga tributária no exercício de 2005. Acrescenta Mantega :- "talvez tenha sido um erro", para em seguida destacar "do governo". Assim como ocorre quando o presidente Luiz Ignácio afirma que "não sabia de nada" e "não viu nada", o ministro da fazenda chega a insinuar que o governo petista é uma coisa distante da sua pessoa. Esquece o economista (?) Guido Mantega que no contexto administrativo é apenas um instrumento, cuja relevância está inserida nas ações do seu ministério e do governo a que está subordinado. Sua individualidade está circunscrita à sua vida pessoal e familiar - a profissional atualmente está vinculada às ações governamentais. Seu cargo é político - de livre escolha, provimento precário e demissível ad nutum - portanto, não há que se jactar como percursor e orientador da política econômica do governo - é apenas o executor - que não se iniciou após sua nomeação para o cargo e deve assumi-la não só nos acertos, mas também em seus equívocos e erros. Como diz o dito popular:- "quando se casa com uma viúva bonita, também se obriga a cuidar dos filhos dela". A vida é assim Dr. Mantega ! Como diz o meu filho Solano:- "...cada um com seus problemas..." !

ESTÁ RINDO DE MIM OU PARA ?

A expressão correta seria "você está rindo de mim ou prá mim?". Tanto fazia estar orientando seus subordinados; na sala de aula, como professor ou aluno; ou mesmo no lazer praticando esporte, o autor da frase a empregava em qualquer situação de confronto ou simples dificuldade - apenas para se impor. Cortês e agradável no trato pessoal. Educação esmerada, fruto da boa educação familiar recebida. Generoso com seus amigos e companheiros. Dinâmico e detentor de liderança nata. Sua capacidade de aglutinar as pessoas e despertar a confiança para seus projetos ficaram demonstradas em várias oportunidades. Suas realizações estão registradas e, certamente, a cidade de Assis saberá reconhecer os seus esforços e dedicação ao serviço público. Ainda assim, como afirmação de seu modo de ser, diante de alguma provocação, manifestação de aproximação mais explícita ou gracejo em relação ao seu perfil, revidava - como a desafiar - "está rindo de mim ou prá mim?". Não se tem notícia que a expressão tenha causado ou produzido outro resultado, senão a simples apreensão e depois o riso - disfarçado ou não. Apenas por prevenção não ouso identificar o seu autor - diria que pela nossa amizade. Uma simples curiosidade, na forma de indiscrição, que vale apenas pelo registro !

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

André Beer - ao contrário do título do texto . . .!

Na condição de usuário do produto Volkswagen, venho acompanhando com alguma curiosidade a démarche das negociações entre a direção da VW - São Bernardo e a direção do Sindicato dos Trabalhores daquela fábrica (leia reportagem da folha). Primeiro, constato que essas lideranças buscam representatividade num contexto mais abrangente, composto pela CUT Partido dos Trbalhadores. Portanto, seu foco não se restringe aos empregados e trabalhadores da Volkswagen e/ou indústria automobilística, já que transformam essa representação em poder politico - com força para eleger até memo o presidente da república. Com isso, acabam perdendo o foco e, principalmente a sensibilidade para detectar problemas - considerados menores - que afligem diretamente a pessoa de seu filiado. Deve se reconhecer as conquistas trabalhistas - sempre relacionadas com direitos e melhorias salarias - que os trabalhadores da indústria automobilística obtiveram nos últimos 40 anos. Agora, ao contrário do sugerido pelo título da matéria, a Volkswagen precisa - para sua sobrevivência - de readequar essa relação entre patrão/empregado. Por conta do risco de sua atividade - que é só dela - a direção da VW se vê pungida a adotar medidas extremas para resguardar a viabilidade dos seus negócios. Esse é o custo do sistema capitalística em que vivemos. Se foi bom em outros momentos - pleno emprego e remuneração ascendente - agora é preciso equilíbrio e tranqüilidade para suportar passagem adversa. Não se trata de simples resignação, mas discernimento suficiente para compreender a medida - outras unidades já o fizeram - e por meio de negociação minimizá-la de tal forma que se dissipe no transcorrer do tempo que a crise perdurar. O confronto - proposto pela liderança sindical, tomando os trabalhadores apenas como massa de manobra - não reduzirá as perdas anunciadas, podendo apenas agravá-las. Por último, o próprio André Beer não descarta a necessidade de fechamando de uma das fábricas da Volkswagen do Brasil. As dificuldades eventuais, igualmente poderão ser dispersada no decorrer da diminuição - e transferência - de suas atividades.

Autoridades de verdade !

Nesta quadra da vida nacional, particularmente na seara paulista, assistimos apreensivos - num misto de medo e indignação - a tomada de nossas cidades pela violência, decorrente da criminalidade desenfreada. Garro então a lembrar, durante os quinze anos vividos em Assis, de alguns agentes públicos, que agiam nos limites do poder que a lei lhes conferia. Alguns tornaram-se persona non grata, em razão a forma correta e firme que exerciam seu mister. Me ocorrem os nomes de dois soldados - policiais de trânsito - Bezerra e Plínio Mazon. O Sd. PM Bezerra, homem calmo e de bons modos, era implacável na aplicação do Código Nacional de Trânsito e seu Regulamento. Conhecia as regras contidas naqueles diplomas legais como poucos. Certa feita, o questionei sobre a conduta dos motociclistas - e olhe que ainda não haviam os motoboys - que já ultrapassavam pelo lado direito. Invocou determinado dispositivo que permitia aos condutores de veículos providos de duas rodas agissem daquela forma, desde que o fizessem somente em deteminadas situações. Quanto ao Sd. Plínio, meu amigo, pai do André - colega de escola do Noel Jr. - mesmo se conduzindo com a mesma retidão e responsabilidade, agia com mais tolerância e sua presença de espírito o diferenciava dos demais. Certa feita, ao abordar um condutor que realizara uma manobra indevida e estacionara seu veículo de forma irregular, apresentou-se e ao solicitar os documentos, ouviu:- "Eu sou juiz de direito !" Pois não excelência, eu sou o Sd. Plínio, de serviço no policiamento de trânsito". E repetiu:- "Por favor os documentos do veículos e sua CNH !" Diante da postura cortez e educada, mas inflexível do policial. O ilustre magistrado, recém chegado na comarca, teve que se curvar à ação legal e legítima do policial, investido naquele momento, de atribuições da autoridade de trânsito. Logicamente, que o desfecho ficou por conta da sabedoria - inata - daquele policial. Exemplos de homens e profissionais, dignos de serem lembrados!
(Diário de Assis - 24/08/2006)

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Habemus Deinter !

Mais uma vez a cidade de Piracicaba se vê agraciada com a criação de importante órgão no âmbito da Secretaria da Segurança - em particular afeto à Polícia Civil. Anteriormente, já tivemos a experiência - não muito exitosa - de sediar a Delegacia Regional de Polícia. Para não criarmos falsa expectativa e muito menos creditarmos, de forma precipitada, essa medida, como realização de políticos afoitos em nossos votos, seria bom levarmos em consideração alguns aspectos. Em geral, iniciativas dessa natureza surgem em momentos de crise na área da Segurança Pública. Não é segredo que, nos dias de hoje, vivenciamos fatos de violência desmedida, sem qualquer parâmetro, que pouco nos diferem de outros países em longa convulsão social. Por outro, sabemos que não basta a simples homologação de um ato governamental e as festividades decorrentes de sua criação. Lembramos que a Delegacia Regional, que aqui funcionou por mais de dez anos, não conseguiu implantar - de forma efetiva - todas as dependências, serviços e atividades, previstas em sua estrutura funcional, por falta de meios e pessoal. Nem mesmo prédio compatível conseguiu alocar - não estamos falando de imóvel próprio. Nesse aspecto é oportuno registrar, que a Polícia Civil perdeu nos últimos anos importante área e o prédio - da antiga cadeia pública. O prejuízo foi imenso é irreparável, já que rompeu a continuidade da área que lhe pertencia - na rua São José, inviabilizando futuras construções no local, inclusive para sediar o órgão agora criado e suas dependências. Não venham nos dizer que sua destinação - como centro de ressocialização - foi apropriado, por que não o foi. Por se tratar de importante unidade voltada, como sua própria denominação expende, para a ressocialização do preso condenado, exigia uma área bem mais ampla, onde se pudesse desenvolver considerável número de atividades de laborterapia. Agora, o Governo Estadual mais uma vez nos oferece essa panacéia! Como da vez anterior, certamente a administração municipal será chamada a viabilizar a implantação do Deinter oferecendo-lhe um imóvel adequado. Mais ou menos nos moldes daquele escolhido pela Polícia Federal - com aluguel acima de R$5.000,00. Embora afastado do cotidiano da Polícia Civil, não é difícil antever que para o funcionamento - mesmo precário desse órgão - será preciso dispor, de imediato, de um número considerável de delegados e pelo menos um número quatro vezes maior de funcionários. Estes das mais diversas séries de classes - escrivães, investigadores, agentes, auxiliares de serviços e outros. Recentemente, no transcorrer do mês julho, este jornal noticiava a carência de delegados na cidade - já que seis, quase a metade das autoridades policiais disponíveis, estavam de férias. Assim, por mais prestígio que o diretor recém nomeado possa ter - inclusive político, já que há mais de uma década vinha atuando em outras áreas da administração pública - não se pode acreditar que as dificuldades e carências da Polícia Civil em nossa cidade venham a ser supridas, como num passe de mágica, e que sua atuação encontre a eficiência esperada pelas comunidades sob a influência de Piracicaba. Ainda assim, saudemos "habemus deinter "!
(Jornal de Piracicaba - 23/08/2006)

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

País irreal !

Já de algum tempo vimos assistindo concursos públicos e exames da ordem dos advogados anunciarem baixíssimos índices de aprovações. Confesso ! Tenho ficado intrigado com essa situação e procurado de todas as formas entender o que se passa conosco. Essa realidade - recorrente - como nos é apresentada, além de afrontar a nossa concepção de vida, estudo e trabalho, ainda nos oferece um desafio:- como alterar essa situação? Ainda assim, não consigo entendê-la muito bem! A par desse quadro, observo que em nossa legislação existem leis que não pegam - simplesmente são ignoradas, não só pelos cidadãos... - e outras de difícil e, em alguns casos, até mesmo impossível aplicação. O exemplo prático e mais evidente em nossos dias - particularmente pelos inúmeros atentados registrados em nossas cidades - é a Lei de Execução Penal. Editada há mais de vinte anos, foi obra de estudos e experiências profissionais de uma plêiade de renomados jurístas brasileiros e apresentada como instrumento hábil para por fim aos descalabros existentes em nossas prisões. As regras e previsões daquele instituto, inovaram de tal ordem o assunto que, ainda hoje, não obteve aplicabilidade prática - apenas criou direitos e expectativa de um tratamento impossível, dentro de nossa realidade, de ser dispensado aos presos. Com isso, apenas criou dificuldades para os administradores das unidades prisionais e frustou qualquer possibilidade do preso receber o tratamento e conforto nela elencados. Por outro lado, vamos encontrar em nosso país, uma precária distribuição de renda - que dificulta o acesso da criança aos bens necessários para seu desenvolvimento intelectual - e uma péssima rede escolar, desprovida de meios e professores capazes em oferecer ensino de boa qualidade - comprometendo, definitivamente, o aprendizado e formação dos nossos jovens. Nenhuma regra ou norma será capaz de alterar esse quadro lamentável.. Assim evidenciamos duas realidades - práticas, insofismáveis e verdadeiras - na sociedade brasileira. Então! Concluindo, como podemos exigir nos exames da OAB e nos concursos públicos - como esse de juiz de direito no Mato Grosso, com zero de aprovação - onde o amplo espectro da complexa legislação brasileira e conhecimento específicos das inúmeras áreas de atuação do profissional, forjado em condições totalmente adversas, são exigidas de nossos jovens no aguardo de que atendam essa expectiva. Chega a ser injusto e desumano ! Já disseram que a Lei de Execução Penal teria boa aplicação apenas na Suécia, país reconhecidamente organizado, desenvolvido socialmente e com recursos suficientes para atender as previsões legais nela previstas. O mesmo poderíamos dizer sobre as provas da OAB e os concursos públicos, particularmente aqueles dirigidos para provimento de cargos na magistratura e ministério público. Sugiro que procurem candidatos em outros país, onde impera outra realidade - diferente da nossa. Para depois não se jactanciar na forma de donos do saber!
(Debate Online - Santa Cruz do Rio Pardo - 20/08/2006)

Presença do deputado João Paulo em Congresso é lamentável!

Fiquei chocado! A minha experiência profissional demonstrou que a criação das guardas municipais - pela constituição de 1988 - certamente, foi a melhor iniciativa na área da segurança pública produzida nas últimas décadas. Mesmo com as restrições constitucionais essas corporações tem respondido - com coragem, criatividade, ousadia e firmeza de propósito - diante do agravamento dos nossos problemas de segurança, muitas vezes suprindo as deficiências dos órgãos diretamente responsáveis pelo serviço. Já deram mostras de sua importância e do espaço existente para sua atuação no espectro do policiamento preventivo. Portanto, sua reivindicação pela reforma do Artigo 144 do CF - para conferir-lhe, efetivamente, atribuições e poder de polícia - merece guarida e o apoio de toda comunidade. No entanto, é lamentável o anúncio - em destaque - da presença do deputado João Paulo Cunha, no XXVII Congresso Nacional das Guardas Municipais, na cidade de São Vicente, nos dias 24 a 26 de agosto do corrente ano. Trata-se de um evento sério e com evidentes propósitos de atender o interesse público. A vida pregressa e conduta parlamentar de João Paulo Cunha não condiz com esse desiderado, pelo contrário, sua presença, além de desprestigiar qualquer cerimônia pública ou privada, ainda deslustra - dando uma áurea de oportunismo - ao encontro. Ainda é tempo de desconvidá-lo!

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Vale o que está escrito!

Reputo que o "jogo do bicho" - embora tolerado pela sociedade - é um daqueles, pequenos ilícitos, que vão sendo descartados como prioridade pela polícia, ministério público e justiça, para depois tornarem-se objeto do crime organizado. Isso também ocorreu com o contrabando, uso de substancia tóxica, ultraje ao pudor público (urinar nas ruas e estradas) e outros mais. Parece que ninguém leva em consideração que o "jogo do bicho", tal qual o tráfico de drogas, alicia jovens sem qualificação profissional e/ou emprego, utilizando-os para realizar a arrecadação das apostas junto aos "pontos" e/ou "cambistas", transportando o material em motocicletas geralmente conduzidas de forma imprudente e perigosa. Depois de algum tempo, realizando - ou praticando, esse tipo de conduta mediante pagamento compensador, esse jovem não se sujeitará mais a um trabalho regular e honesto. Logo depois, como numa ascensão profissional, passará da coleta de apostas do "jogo do bicho" para o tráfico de drogas e daí para outras intervenções mais ousadas no mundo do crime.

Acabei me perdendo no discurso e derivei do foco da minha análise. Queria dizer, de forma clara e objetiva, que o "jogo do bicho" somente obteve essa tolerância da sociedade e credibilidade junto aos apostadores por levar a sério a regra "vale aquilo que está escrito" - ainda, que nem sempre! Recentemente, o presidente da república - Luiz Ignácio - ao contrário dos "banqueiros do jogo do bicho" desconsiderou essa regra básica da contravenção - e, fundamental para regular a vida em sociedade através das leis - revogando-a na prática, quando afirmou em rede nacional de televisão; "eu demiti o Zé Dirceu e o Palocci". Mentira ! O Diário Oficial da União publicou e a imprensa brasileira repercutiu que ambos foram exonerados - a pedido. Repito, mentira das mais desvaladas. Não honra o que está escrito nenhum "cambista ou bicheiro" admitiria, mas foi ouvida pela pronúncia - um pouco inaudível, é verdade ! - do presidente da república, na busca de sua reeleição.

Há que se considerar ! Não foi a primeira e muito menos será a última impropriedade que Luiz Ignácio está tentando nos impor!

Juiz Ayoub - mais uma vez atua em favor da VARIG!

O juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que conduz a Recuperação Judicial da Varig, mais uma vez advoga em favor da empresa. Antes já havia determinado que a estatal BR fornecesse combustível para os aviões da companhia recuperada, sem pagamento à vista. Depois realizou reiterados leilões até que se encontrasse um meio de alienar apenas a parte saudável da empresa. Curiosamente, não interveio quando os compradores demitiram, de forma ao que parece indiscriminada, cerca de 5.000 empregados da Varig - que por sinal, como a BR, não recebiam seus haveres há mais de três meses. Agora, novamente intervém em favor da companhia, reformando - no sentido de anular - decisão da Anac, que redistribuia as linhas áreas abandonadas pela Varig. Felizmente, a Associação de Magistrados - ou seria de Promotores Públicos, se insurge contra a demissão em massa daqueles funcionários. Indaga-se, ainda que o instituto da Recuperação Judicial seja recente - por certo, não existindo parâmetros para sua execução, até mesmo por isso, há que se encontrar limites legais para intervenção da Justiça, mormente para agentes públicos voluntariosos - como é o caso juiz Ayoub.

CONTANDO HISTÓRIAS DO GERB

Certamente as atividades do Grêmio Estudantil "Rui Barbosa" - GERB - do Ginásio Estadual e Escola Normal e depois Instituto de Educação "Horário Soares", já foram objeto de prosas e versos, sendo seus inúmeros feitos destacados pelos estudantes que os vivenciaram, registrando episódios memoráveis ao longo de sua história.

A disposição acima, para uma pessoa que nunca estudou no antigo Instituto de Educação "Horácio Soares" e, portanto, não teve a experiência de pertencer ao GERB, deve soar, no mínimo, como ameaça ou escárnio.

Acontece que desde garoto freqüentei as dependências daquela escola - minha avó Pedrina morava perto. Não haviam obstáculos para se alcançar o seu campo de futebol - acreditem, havia um campo gramado, nos fundos do colégio - quadra e demais áreas externas.

Costumava assistir as aulas de educação-física do professor Silas Moraes, era curiosa a sua forma de fazer as chamadas - a parede do vestiário era numerada e os alunos se postavam na frente do seu respectivo número. O professor caminhava diante dos alunos e, simplesmente, lançava falta aos números vagos. Depois fornecia uma bola de futebol para a tradicional pelada.

Também aproveitava para "espiar" as normalistas - com seus shorts comportados, com elástico nas pernas - exercitando-se na quadra de saibro, sob a orientação da professora Mirian Moraes, uma esportista de qualidade.

Certa manhã de um dia normal, fomos alertados pelo espoucar de fogos de artifício - apenas comum naquele horário, quando da chegada do trem pagador. Curiosos, acorremos à estação ferroviária, onde deparamos com os atletas do GERB sendo recepcionados por familiares, estudantes e pessoas comuns do povo.

Eram os nossos heróis! Representando o Grêmio Estudantil "Rui Barbosa" acabavam de conquistar uma disputa de futebol, de âmbito estadual. Particularmente, trago fixado na memória os nomes de Xanxã, nosso goleiro que adotei como exemplo; Luiz Sério, filho do chefe da estação, Shigeo, habilidoso canhoto, da família Suzuki, verdadeiros craques. Se não me engano, todos pertenciam ao time da Shell, então o melhores juvenis da cidade.

Outro feito memorável promovido pelo pessoal do GERB foi a greve no Cine Ourinhos, em protesto pela elevação do preço da entrada. Pontuavam as lideranças do Jefferson Del Rios, do meu irmão Aureliano, dos Zanoni, dos irmãos Péricles e Percival Coopieters. Yukio Maeda, Levy Fagá e outros jovens vibrantes e participativos.

Tão logo as bilheterias se abriam, eram organizadas "filas bobas" - que giravam em torno dos guichês, com intuito de impedir que possíveis expectadores se aproximassem para adquirir ingressos.

Surgiu então um casal - o rapaz era de uma família tradicional no ramo de transporte de carga - disposto a "furar a greve" e entrar para assistir a sessão. A polícia e a gerência do cinema garantiram a entrada de ambos.

Frustrados e indignados com o comportamento do casal, os estudantes se postaram defronte ao cinema e, ao término da sessão, quando o casal deixava as suas dependências, passaram a ser alvo de ovos e tomates, arremessados por habilidosos jogadores de basquete, bocha e beisebol.

Mesmo não sofrendo ferimentos, já que a intenção era apenas desmoralizá-los, a moça e o rapaz precisaram do socorro do delegado Hélio Galvão, que se abraçou a ambos e garantiu a retirada com segurança. Apenas não conseguiu evitar as manchas de ovos e tomates em seus cabelos e roupas.

Esses episódios marcaram uma época da minha cidade - boa ou má, dependendo de que lado você estava - mas sobre os quais regozijo de tê-los vivido e guardado essas recordações!

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

SEDE?! - "SÓ SE FOR NO CÍRCULO CENTRAL"

Como homenagem ao titular deste espaço - o conterrâneo Osvaldo Perino, nosso bom "Goiaba" - filho do "Duia" e da. Zuleica, irmão do "Mingo", e sobrinho do Bento e do "Ditinho" - este meu parceiro de snoocker, vou tentar recuperar, na forma de reminiscência, algumas passagens, pessoas e fatos relacionados com o Clube Atlético Ourinhense - ou seria Esporte Clube?

Por não dispor da mesma verve, capacidade de ironizar e criatividade do engenheiro Osvaldo e, nem mesmo manter maior afinidade com as cores "vermelho e branca" - embora tenha participado de sua equipe juvenil, o técnico era Ignácio, um zagueirão que passou pelo clube - vou me aventurar a uma seara muita bem dominada pelo amigo.

Corria a segunda metade da década de 1950, o Ourinhense com seu belo estádio - "Pequeno Maracanã da Alta Sorocabana" - certamente saia do período mais brilhante de sua história. Quando a equipe, com grandes craques, como Cecy, Anibal, Ferrari, "Teco Cury" e outros, chegou a golear o Fluminense - passagem aqui já lembrada por por Perino - no seu apogeu.

Diante das imensas dificuldades enfrentadas - as lideranças e patrocinadores daquela equipe - acabaram desistindo da empreitada. O alto custo e empecilhos de toda ordem, tonaram inviável o projeto de manter um time de alto nível na cidade.

Sua direção passou a priorizar a área social. Até então nenhum clube da cidade dispunha de piscina. Apenas o Diacui mantinha um clube naútico. Foi o Ourinhense quem ofereceu a primeira piscina para seus associados, graças ao denodo do dirigente Nilo Ferrari, mesmo liderando uma grande empresa, encontrava tempo para - pessoalmente - vender os títulos e, ainda cobrar as parcelas e mensalidades dos novos associados que acreditavam na realização do projeto.

Foi desse mesmo dirigente que ouvi a expressão - SEDE?! - "só se for construida no círculo central do campo!" - que deu nome a esse texto.

Lembro, ainda menino vivia acompanhando o senhor Aristides Sampaio - meu patrão na Torrefação de Café Santo Antônio - mineiro, homem sério e valente, também abnegado pelo futebol ourinhense, em suas andanças pelos estádios da cidade ou seguindo times em viagens pela região.

Ao final de uma partida em seu estádio, onde time "vermelho e branco" mais uma vez frustava sua torcida. Enfrentando a esquadra do Derac de Itapetininga, deixava de se classificar para outra fase da competição.

Diante do estádio vazio, restou à beira do bar improvisado, um grupo de dirigentes e simpatizantes tomando cerveja - eu, apenas guaraná - e conversando sobre o destino do clube e do seu time de futebol. Ali estavam representadas, as famílias Ferrari. Cury, Mory - além de outras figuras proeminentes da sociedade ourinhense, como Fiuza, "Luizinho Seleiro" e o Aristides Sampaio.

Com a piscina pronta e funcionando - com sucesso e muito bem frequentada - um dos presentes sugeriu que o futuro da agremiação dependia da construção de uma bela e sofisticada sede social, nos moldes da existente no Clube Recreativo.

Na condição de presidente do Conselho Deliberativo e com a experiência acumulada na direção do futebol profissional e depois levando - praticamente sozinho - as obras das piscinas, tornando-as uma realidade, o Nilo Ferrari com a autoridade que seu cargo permitia redargüiu:-

--"Estou de acordo, concordo com a idéia e me disponho a obter aprovação do Conselho Deliberativo. Voltando-se para o gramado, concluiu: desde que a sede seja erigida no círculo central do campo de futebol !"

Com isso, a visão do empresário revelava disposição em evitar que - mais adiante - o patrimônio do Clube Atlético Ourinhense fosse comprometido com a implementação de novos projetos no âmbito do futebol profissional, cuja falência vem se manifestando na grande maioria das agremiações do gênero.

É o que restou!

É deverás lamentável o atual momento vivido pela Unimep (leia matéria publicada no Jornal de Piracicaba) . Outros estabelecimentos de ensino superior também passam por crise semelhante. Recentemente, foi noticiado que a Universidade Tancredo Neves, em São Paulo, estava encerrando cursos comunicava o fechamento de cursos -
alunos se viam abandonados - já que seu mantenedor não encontrava meios de mantê-la funcionando. Por certo existirão inúmeros motivos que possam justificar essas dificuldades:- a perda do poder aquisitivo da classe média, passando pela má qualidade dos cursos ministrados, eliminação de subsídios e benesses governamentais, até alcançarmos as más administrações, aliadas da incompetência e irmã siamesa do corporativismo e favorecimento de grupos que se encastelaram na direção dessas organizações por décadas. Na condição de pai de dois alunos - formados pela Unimep - durante os últimos dez anos pude conviver (ou seria sofrer) diante da espoliação que nos era imposta pela direção daquela universidade. A insensibilidade de sua administração - representada pela figura execrável de seu reitor Almir de Souza Maia - nunca nos deu outra opção, senão aquela de contribuir de forma extorsiva, mas religiosa com as mensalidades. Não havia qualquer diálogo - consulta à clientela, nunca foi praticada - sendo os reajustes praticados sempre unilateralmente, sem qualquer complacência com as dificuldades enfrentadas pelos pais de seus alunos. A par disso, seu corpo diretivo e uma casta de profissionais se enraizaram de tal maneira em seus escaninhos - mais parecendo heras - minando de todas as maneiras possíveis os seus recursos. Não bastasse isso, a seu mantenedor, ainda abrigava grupos antagônicos - não diria rivais, porque convivem e praticam o mesmo credo religioso - que raramente conseguiram manter o poder hegemônico e, precisavam constantemene exibir eficiência e realizações na condução dos negócios da universidade. A postura do magnífico reitor Almir - com seus arroubos empreendedoes - ora promovendo aquisições de unidades de ensino em outras cidades e regiões do Estado, para em outros momentos anunciar, com a publicidade indispensável aos déspotas, empreendimentos nas dependências do campus Taquaral - até shopping foi ali edificado - que na maiorias das vezes se distanciavam da atividade precípua de uma instituição de ensino. Suas constantes e longas viagens - com seus áulicos - geralmente para o exterior, eram também objeto de manchetes e extensos comentários da imprensa, certamente não contribuíram para o sucesso de sua administração.Além disso, Almir nunca se mostrou propenso a se aproximar de seus alunos, mantendo-se distante - num outro patamar, de sabedoria e poder. Pelo contrário, numa postura de desprezo e indiferença com sua clientela, não se dispunha a presidir ou, simplesmente, participar das cerimônias de formatura de cursos ali ministrados. Com o andar da carruagem, mais adiante talvez não se tenha mais aquelas ocasiões festivas para comemorar. Mesmo diante das imensas dificuldades - agora reveladas - e as evidências reais da prática de gestão, no mínimo temerária, ainda encontramos as mesmas lideranças ocupando postos estratégicos e de realce no Instituto de Ensino Piracicabano. O prestígio e ascendência dessas pessoas sobre aquela instituição não mais se justifica, mesmo porque há muito abandonaram o exemplo de dedicação e amor deixados por Martha Watts, quando criou o IEP em 1881. É uma pena.

terça-feira, 15 de agosto de 2006

PEQUENOS BURGUESES COM CHICO BUARQUE

Devo admitir e agradecer!

Meus irmãos sempre se preocuparam com a minha formação, principalmente intelectual. E, na condição de caçula de uma prole de quatro filhos, além dos meus pais, certamente sofri a influência e adotei - como exemplos - hábitos e comportamentos dos meus irmãos mais velhos - Aureliano, Tércio e Dinorá.

Certa feita, Aureliano chegou do trabalho trazendo dois ingressos - ou seriam convites! - que presenteou, a mim e à Dinorá para assistirmos a peça "Os Pequenos Burgueses", do russo Máximo Gorki, com retubante sucesso no Teatro Cacilda Becker.

Na época, aquele teatro funcionava nas dependências do prédio da federação Paulista de Futebol, na avenida Brigadeiro Luiz Antônio, em condições inviáveis para as regras do Contru nos dias de hoje.

Embora não afeito àquele tipo de programa, logo percebi que a fluência de público era grande - sendo o uso do elevador, se disponível inviável - subimos pela estreita escada, com a disposição de obtermos um bom lugar.

Num dos lances da escada, já nos aproximando da sala de espera, notei a presença de um rapaz com o violão apoiado sobre os dois pés, numa das mãos segurava timidamente um cigarro entre os dedos e tinha ao seu lado uma jovem franzina, de uma beleza singela. Marieta Severo, com seu olhar cândido, trajava uma saia longa com a barra sobrando sobre suas sandálias.

Foi a Dinorá quem sussurou.

-"É o Chico Buarque !"

Devo ter vacilado. Ela então acrescentou.

-"Aquele da Banda !"

Levantei a fronte e deparei com dois holofotes - sem qualquer pudor, mais pareciam duas gemas de esmeralda - como a iluminar aquela passagem, num brilho incomum. Ainda que disperso e sem a fama adquirida com a carreira brilhante, não havia como ignorar a presença do compositor carioca, que discretamente vivia sua fase paulistana.

Sem dar bandeira - na época, a tietagem não era de bom tom - alcançamos as dependências do teatro, onde assistimos a apresentação de "Os pequenos burgueses" - em boa companhia - com atuação magistral de Renato Borghi, ainda um jovem ator, em ascensão e buscando o seu espaço no dramaturgia brasileira.

É uma lembrança, não esquecida e agora compartilhada!
(Folha de Ourinhos - 03/09/2006)

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

OS SEGREDOS DO CARVOEIRO

Penso que foi o professor Euclides Rossignoli - em um dos seus textos - quem me fez recuperar as lembranças do "carvoeiro".

Tratava-se de uma elevação entre os trilhos das ferrovias, ao que me parecia formada pelo acúmulo de carvão descartado pelas locomotivas a vapor. Antes ou depois de abastecidas com água - próximo havia uma grande caixa d'agua - abandonavam naquele ponto os dejetos de suas fornalhas.

Lembro que aquele espaço era lúgubre - os pais evitam passar por ali à noite e recomendavam às filhas que o evitassem, mesmo durante o dia - apenas um atalho para se alcançar a Vila Margarida. Durante à noite a ausência de iluminação pública e vazio de usuários ainda o deixava mais sinistro.

Mesmo durante o dia, era ponto de encontros clandestinos, sendo inevitável depararmos com a prática de atos libidinosos - para deleite de algum tipo de voyeurismo precoce . A notícia de crimes ali ocorridos, incrementavam a má-fama do local e com isso despertava a nossa curiosidade.

Ainda assim, os meninos - contrariando orientação dos pais - iam ter àquele local para brincar. Divertíamos soltando papagaios, as condições do terreno facilitava o empinar do "maranhão". Ou, apenas escorregando pelas trilhas íngremes formadas pelo caminhar das pessoas que delas se utilizavam como atalho, mesmo deixando vestígios inconfundíveis em nossas roupas.

Logo fiz daquele local passagem obrigatória para chegar à Escola Artesanal, onde fui matriculado - sob protesto - com propósito de aprender uma profissão. Depois de um ano, mais cabulando aulas - simplesmente para apreciar a cidade do alto do "carvoeiro" - que aprendendo a operar os tornos, fresas e furadeiras, voltei a praticar a ociosidade inconseqüente, para tristeza e preocupação de meus pais.

Destacavam-se no sopé daquele monte - entre os trilhos das ferrovias - certamente por falta de moradias condignas, diversas famílias habitando vagões de carga - transformados em residências para os trabalhadores menos qualificados. As escadas de madeira, mantidas lavadas e bem limpas, o banheiro construído ao lado - ao nível do terreno - e um pequeno jardim sempre bem cuidado, identificavam a moradia humilde, como um lar.

Para alcançarem o centro da cidade, seus moradores caminhavam pela beira dos trilhos e passando pelo interior da estação chegavam à Praça Mello Peixoto, cinema, bancos, comércio e seus locais de trabalho.

Aquele caminho, era passagem obrigatória da bela mulata "Tica", nascida e criada numa daquelas casas. Vestida sempre de branco exibia suas curvas e formas exuberantes. Caminhava por ali - como se desfilasse por uma passarela - sob os olhares aguçados dos empregados das ferrovias, viajantes e nós outros que ali postávamos simplesmente para vê-la passar, sempre altiva e ignorando os comentários mordazes de seus admiradores.

Por certo, atualmente o "carvoeiro" não mais exista e tampouco os trabalhadores continuam a criar suas famílias morando em vagões - adaptados como residências - mesmo porque as nossas ferrovias deixaram de existir, como agente empregador e fomento do progresso do nosso interior.

Ainda assim, como as montanhas, o "carvoeiro" saberá manter os seus segredos!
(Folha de Ourinhos - 27/08/2006)

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

A lei "Maria da Penha" !

A lei "Maria da Penha", homenagem à farmaceútica paraplégica em decorrência de agressão do marido, recentemente sancionada pelo presidente da república, agrega em seu espírito - como toda norma sancionadora - um poder dissuasório. Isto é, ao agravar a pena, visa num primeiro momento, convencer o cidadão a não praticar o fato típico nela descrito. A previsão legal de pena mais rigorosa, deve sempre ser lembrada, mas soa como equívoco destacar a sua aplicação prática neste estágio. Com isso, a preocupação - única e exclusiva - com a insuficiência de vagas nas cadeias fica prejudicada. Lógico, que a par da vigência da norma legal, há que se informar e esclarecer os casais enaltecendo a importância do entendimento e respeito mútuo em prol da relação estável e, principalmente, harmônica.

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