Assim como os filmes de Visconti e Rosselin, impressionante o realismo dos filmes da campanha da Justiça Eleitoral, pelo voto consciente. A exagerada preocupação com a isenção, acompanhada da sutileza da mensagem, não contribuem para compreensão do seu conteúdo. Evidente que o Tribunal Eleitoral não poderia admitir a existência de mazelas na política, tampouco denunciar a baixa qualidade dos nossos políticos, mas certamente errou na mão ao utilizar imagens e situações irreais para o cotidiano do povo brasileiro. Talvez tenha faltado imaginação ou simplesmente acreditaram na capacidade crítica do eleitor brasileiro.
Alvíssaras à Justiça Eleitoral pela medida adotada - suspender as obras do PAC no Morro da Providência restabelece equilíbrio na campanha eleitoral que se avizinha. Flagrante o favorecimento do candidato Marcelo Crivella, idealizador do projeto, como candidato à prefeitura do Rio de Janeiro. Por esse Brasil a fora, medidas iguais a essa haverão de ser adotadas pela Justiça Eleitoral, visando impedir que as obras do PAC interfiram na escolha livre e soberana do povo brasileiro, quando da escolha de seus futuros prefeitos - as eleições acontecerão em outubro de 2008. Assistimos e ouvimos, com indignação, o presidente petista proclamar-se como cabo eleitoral do seu partido. em cada anúncio ou visita à obras do famigerado PAC. Certamente, não vai ser necessário a existência de mortos, para que ocorram intervenções dessa ordem - basta observar a lei eleitoral!
Na iminência de sair vencedor na eleição do próximo domingo (29/10), o petismo e seus aliados - na imprensa - invocam a possibilidade da oposição buscar, através da Justiça Eleitoral o impedimento da diplomação do candidato eleito. Jocosa ou ironicamente - até mesmo por receio que aconteça - denominam essa possibilidade jurídica de 3º turno. Decorre daí os comentários - desencontrados e ameaçadores - como aquele do José Dirceu, conclamando os eleitores a garantir a posse do petista ou indicando "golpismo" do segmento derrotado pelas urnas. Ainda procuram difundir discórdia entre os lideres oposicionistas, como se não houvesse essa possibilidade jurídica. Cabe apenas lembrar aos petista em geral - e, particularmente aos incrustados na imprensa - que os crimes eleitorais, pela sua própria natureza de interesse público, não comporta desistência ou renúncia do denunciante. Uma vez oferecida a notitia criminis - como já aconteceu, inclusive com possibilidade de defesa preliminar, já apresentada pelo candidato / presidente e seus asseclas - estará deflagrada a persecução a respeito da infração à legislação eleitoral. Assim, uma vez provocado o Tribunal Superior Eleitoral, obrigatoriamente haverá de decidir a respeito - independente de qualquer outra manifestação da parte interessada - de ofício. Quer para arquivar o feito, absolver os denunciados e, se for o caso, condenar os infratores - inclusive com o impedimento ou cassação do diploma, após eleito. O ex-ministro José Dirceu - certamente, pela sua formação jurídica e convivência com seus advogados - já percebeu e mandou um recado explícito para a Justiça Eleitoral. Resta aos jejunos da imprensa adotarem a mesma postura e deixarem de procurar pelo em ovo. O candidato Alckmin foi claro e conciso, quando respondeu:- a oposição não pode concordar com a impunidade !
Dias atrás o colunista Alencar Kennedy, no jornal "Folha de São Paulo", escreveu que o governo e sua base de apoio estariam preocupados com as últimas decisões do TSE. Segundo o jornalista (?), por contrárias à coligação que busca a reeleição do atual presidente. Adiantava que altos próceres da base governista estariam dispostos a pedir audiência para os ministros do TSE, com intuito de lhes transmitir a preocupação - sugeriam que o tribunal estaria sendo parcial. Aqui comentamos que essa atitude dos políticos se revelava em coação - velada ou não - mas ilegal, contra a Justiça Eleitoral. Agora, diante da existência de escuta clandestina nos telefones dos ministros Marco Aurélio e Peluso, restaria indagar - primeiro ao Kennedy e depois aos políticos - que tipo
de argumento essa comissão usaria para convencer os juizes a amenizarem os julgamentos dos atos da campanha petista? Depois não se falou mais na tal audiência. Será que se tornou inviável, diante do vazamento da escuta? Certamente, o colunista Alencar Kennedy - sempre bem informado das hostes governistas - poderá nos adiantar mais alguma coisa !
Pera aí! O cronista Alencar Kennedy - da Folha de São Paulo - está denunciando ou apenas adiantando uma situação surreal a ser vivida nos próximos dias. Legalmente, esse tipo de interferência se revela em coação criminosa. O magistrado, quando ouvir os argumentos mencionados pelo colunista, poderá prender em flagrante delito, os assacadores contra sua liberdade de exercer o poder que lhe é conferido pela constituição. Cabe esperar para conferir ! Apenas adiante-se:- sabendo de antemão do assunto a ser tratado, o Presidente do TSE ao aquiescer da audiência estará - gratuitamente, ou não - colocando sua isenção sob suspeita.
É um abuso ! Afronta à inteligência do cidadão ! Enfim, favorecimento descarado ao candidato à reeleição. As revistas Época, Istoé e Carta Capital, desta semana, em uníssono, trazem em suas capas a fotografia do presidente / candidato Luiz Ignácio. É muita coincidência para não acreditarmos que tudo foi adredemente preparado e combinado - quiçá remunerado ! Será que o TSE vai tomar providência? Se precisar de provocação, sirva esta como representação.