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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Justiça privilegia alguns, em detrimento de outros

Reconhecer o direito do doente recorrer à Justiça para obter assistência médico / hospitalar condizente com seu estado de saúde será sempre legítimo. Contudo, socorrer-se do Poder Judiciário para livrar-se da fila de transplante e com isso obter o órgão sem respeitar as regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde, pode merecer alguma discussão de caráter ético ou legal. Agora, jactar-se por ter alcançado a precedência no atendimento, como transparece a matéria publicada no OESP deste domingo, pode até certo ponto revelar escárnio com os pacientes preteridos. Sem embargo do caráter humanitário que, eventualmente, pode embasar situações como essa, por outro lado permite entender como simples aplicação da "Lei de Gerson", onde a disposição de levar vantagem prevalece sobre os demais concorrentes. Em outros casos a capacidade econômica, posição social, relações de amizade e até mesmo influência política, podem produzir o mesmo resultado. Enquanto isso, a maioria dos pacientes, pobres e/ou subservientes à lei morrem nessa mesma fila - se a lei não é justa, que seja reformada ou adequada à realidade nacional, mas burlar a regra estabelecida erga omnes ou aplicá-la de acordo com a conveniência de poucos, à distância nos parece extremamente injusto.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Mortes em cruzeiros marítimos, uma questão de saúde pública

Quem diria: cruzeiro marítimo tornou-se uma atividade de alto risco. Por alguma razão o sonho de uma agradável e inesquecível viagem de navio vem se tornando motivo de preocupação. Apenas na atual temporada, nada menos que quatro passageiros vieram a falecer, por causas variáveis, durante cruzeiros em navios de companhias estrangeiras. Ultimamente essas empresas realizam verdadeiro périplo pelos portos nacionais durante o verão na busca de passageiros ávidos pela experiência. Por certo a grande aglomeração de pessoas, alguns navios recebem mais de dois mil passageiros por viagem, não pode ser descartada como a causa de alguma dessas mortes - outros motivos podem estar relacionados com a origem e o comportamento extravagante de algum passageiro. Observo, da sacada do apartamento, a chegada e a partida desses navios e o reduzido tempo de sua permanência no Porto de Santos pode não estar sendo suficiente para a realização de uma higienização completa e perfeita - os navios chegam, em geral à noite ou pela manhã, e no final da tarde seguinte já estão zarpando outra vez. O assunto não se restringe à esfera policial, diante da reiteração das mortes, trata-se de um problema de saúde pública - cabe ao Poder Público intervir, realizando a necessária fiscalização e acompanhamento.

domingo, 11 de maio de 2008

Tomei a vacina, mas fiquei preocupado

Apesar de já ter ultrapassado a casa dos sessenta anos, pela primeira vez adotei a cautela de tomar a vacina contra a gripe, mas confesso:- fiquei preocupado! Não se trata de colocar em dúvida a eficácia da vacina, mesmo porque já foi reconhecida e consagrada por meus parceiros de idade. Apenas causou-me apreensão as condições do Posto de Saúde - disseram tratar-se de policlínica - na rua dos Rouxinóis, em Guarujá. Desde que meus três filhos deixaram de tomar as vacinas na infância - já se passaram mais de duas décadas - não entrava numa unidade de saúde. Fiquei estarrecido com as más condições das instalações daquela Policlínica. Os idosos, como eu, eram encaminhados para um pequeno cômodo nos fundos do terreno. Se o interior da unidade não revelava um ambiente asséptico, imaginem passar por um quintal com lixo esparramado pelos cantos e até um cachorro amarrado junto a porta do referido espaço. Uma antiga janela, que já perdera os vidros, servia de guichê. O seu interior, exibindo paredes emboloradas e úmidas, o teto perdendo alguns componentes, não oferecia as mínimas condições de ser utilizado como local de vacinação. Acredito que a saúde pública não permitiria o funcionamento de uma farmácia, tampouco um laboratório de manipulação de remédios ou aplicação de injeções, num ambiente degradado como aquele. Cinco atenciosas funcionárias se revezavam no atendimento ao público, ainda que o espaço foi exíguo e as condições de trabalho insalubres. Desnecessário dizer que as paredes não eram revestidas de azulejos, as mesas de madeira sem qualquer guarnição, nem mesmo dispunham de uma pia para lavar as mãos, entre um atendimento e outro. Luvas - seria um luxo inconcebível, tanto para proteger os funcionários, como a clientela. Levando em conta que os órgãos de saúde , municipal, estadual e federal, fazem vistas grossas para esse estado de coisa, caberia às Associações Médicas e de Farmácia visitarem esse e outros locais para avaliarem as condições de trabalho e atendimento do público, oferecendo subsídios para seu aperfeiçoamento ou, se for o caso, denunciando as precárias condições do atendimento. Uma questão de saúde pública ! É ou não é para ficar preocupado?

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