Os jornais têm noticiado que as usinas produtoras de açúcar e álcool enfrentam sérias dificuldades. Esses problemas teriam outras matizes, não estando adstritos à atual crise econômico / financeira que assola o mundo. Sabemos que a cidade de Assis, embora não dispondo de unidades indústrias dessa natureza, lidera região onde pontua o Grupo Nova América, detentor de diversas usinas, constituindo um conglomerado agropastoril da maior expressão. Recentemente o jornal "O Estado de São Paulo" veiculou matéria onde era admitida a fusão da "Nova América" com outros grupos, dentre os quais "Cosan" e "São Martinho" - quiçá a sua venda. Por não desconhecer a importância do Grupo Nova América para a economia da região de Assis, fica difícil entender a ausência desse assunto na imprensa local. Mesmo porque não há como fugir da realidade!
Poderíamos também dizer:- "o mal da cana". Essa é a situação do Estado de São Paulo. O governo estadual, um pouco tarde é verdade, revela preocupação pela ocupação de 70% das terras agricultáveis com a lavoura de cana de açúcar e promete intervir para frear esse descalabro. A situação somente é confortável para os usineiros, por estarem com sua produção próxima dos centros de consumo, auferem maiores lucros. Situação inversa enfrentam os produtores de alimentos. Há décadas estão sendo obrigados a levar suas lavouras para terras cada vez mais distantes, não só dos grandes centros urbanos, mas também dos portos que permitem o escoamento de suas safras. Com isso o agricultor vê o seu lucro minguar, principalmente com as despesas de frete - tanto para os insumos, como para o transporte da produção - enquanto o consumidor paga cada vez mais caro pelos alimentos que consome. Sem esquecer que a cana-de-açúcar, sendo explorada em áreas próximas dos centros urbanos, prejudica o meio-ambiente e atenta contra a qualidade de vida nas cidades.
Soa estranho quando se anuncia que o interior ganha com a crise de alimentos. Isso porque o Governo Federal prega que 70% da produção de cana-de-açúcar do país está concentrada em terras agricultáveis do Estado de São Paulo. Por se tratar de grande centro consumidor, seria recomendável priorizar a utilização das terras do interior paulista para produção de alimentos - com isso, efetivamente o custo de produção do feijão, trigo e milho poderia ser reduzido. Enquanto terras, menos nobres do interior mineiro e goiano, poderiam muito bem atender a demanda do etanol - a produção alcançaria os centros consumidores através de alcoolduto, sem o custo do frete.