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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O "Canto" tem novo personagem

Depois das siriemas, quatis, gralha azul, pombas rajadas de grande porte, apareceu um espécime de Irara - animal silvestre, próximo do guaxumin e da ariranha, o corpo aproxima-se de 1/2 m., mas com a calda longa pode chegar a um metro, a cabeça é grande em relação ao corpo, cinza escuro, próximo da cor preta. Os vizinhos vinham reclamando do abate de galinhas, cujas carcaças eram abandonadas. No último final de semana, os cachorros, como de costume, latiam na mata - logo depois desciam perseguindo a caça, bem próximos mas sem coragem de atacá-la. Ao chegarem nas proximidades do rio, felizmente abandonaram a perseguição. Parece que a Irara dissimula seu predador através da urina, de cheiro forte, sobrepõe ao seu odor característico. Come ovos, sangue e mel - consta que está em extinção. Assim, vamos colecionando, cada dia mais um espécime, da fauna e da flora silvestre -  além dos animais domésticos, é claro!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Botina 'TESTA DE TOURO'

O primeiro par foi comprado na Sapataria Nunes, recém-aberta na avenida Jacinto Sá, esquina com Gaspar Ricardo, onde hoje está instalada a Sorveteria Pinguim- ali também já havia funcionado a Pensão Italiana, da família Padilha (avós da Orminda), depois da dona Itália, mãe do Natal e o Bar do Bernardo, talvez o último bar noturno da cidade e reduto da boemia.

Reconheçamos não se tratava de um calçado mais confortável - sua ponteira e o calcanhar eram reforçados por um material resistente, rígido e praticamente indestrutível. Nada comparado com um "Bibo", "Picolini" ou Scatamachia, que aprendi admirar e desejar, mais adiante usufruir do seu conforto - esta última marca, no seu modelo clássico sem costura, era a predileta do senhor Narciso Migliari, a quem prestava serviço de engraxate.

Quando ganhei – melhor seria dizer, conquistei no grito - meus irmãos Tércio e Aureliano já desfilavam com suas botinas novas, ainda com alguma dificuldade de andar, os pés estavam mais acostumados ao caminhar descalços e as botinas eram pesadas, mas suportavam chutes em latas e até pedras. Não eram muito ajeitadas para o controle da bola (de meia, quando muito de tentos) e os chutes no futebol.

Sendo o filho caçula, ainda na infância – ali pelos cinco ou seis anos - não foi muito difícil convencer meus pais a comprar a sonhada "testa de touro". Podem logo perceber que as minhas dificuldades foram maiores: primeiro para calçá-las, o pé tem que alcançar o interior da botina "meio de lado" e depois virar para – com o perdão da palavra - acomodar-se dentro daquela forma; segundo, uma vez calçado, a sensação era de uma armadura, quase de um escafandrista, mudar os passos e caminhar em linha reta era uma aventura. Correr então? Nem pensar. Ainda sem muito uso, a botina – apesar de muito reclamada – foi abandonada num canto da casa, na época o mais comum, era debaixo da cama mesmo.

Esse episódio foi relembrado durante a troca de presentes do último Natal – dezembro de 2010 – o primeiro que passamos aqui no Sítio "Canto das Siriemas". Para deleite das "crianças" - o certo seria apetite – preparava o consagrado "miolo de alcatra", inteiro, envolto no sal grosso, na beira da grelha da churrasqueira, que concorria com a costela de leitoa que teimosamente abandonou o freezer acompanhando as "picanhas. Enquanto conversávamos esperando a "meia-noite", adiantava os "petistos" - linguiça de pernil e pedaços de frango. O centro das atenções era o "Pirata", filhote de cachorro, sem raça definida, nossa primeira conquista aqui do sítio (ganhamos de um vizinho) de cor branca, com manchas pretas, uma delas envolvendo seu olho direito, justificando assim o apelido.

Durante a troca de presentes, desta vez foi o meu caçula Gustavo - esses caçulas! - ao me presentear, surpreendeu-me ao oferecer uma bela botina, nos moldes da "testa de touro", já bem mais elaborada e muito mais confortável. É verdade que não foi a primeira que surgia aqui no sítio, o Noel Jr. que, ao lado do seu irmão Solano, também já pegara gosto por calçado de qualidade – aqueles que não precisam "lacear "- apareceu com uma botina amarela, da qual eu já compartilhava nas suas ausências. Para fazer justiça, lembro que Gustavo é educador e esportista, razões pelas quais seu calçado preferido é o tênis, quando não o chinelo de dedo.

Com receio de encontrar dificuldades para calçar a botina nova deixei para experimentá-la longe dos olhos ávidos por um percalço ou uma "mancada" literal do "meu velho", como eles costumam se referir ao pai. O número estava correto, consultado o neto Rafael, preferido por ser o único, já havia confirmado o tamanho. Apenas hoje, quando comecei a lidar – tratar das novilhas e da vaquinha de leite, limpar o galinheiro, recolher os ovos e cuidar da horta – com os afazeres diários do sítio, pude calçar (com aquelas mesmas dificuldades) o novo calçado, isso depois de proteger preventivamente os dedos dos pés com esparadrapos. A minha nova "testa de ouro", ainda traz reforços no bico e no calcanhar, agora suficientes para assegurar um caminhar seguro - ainda que meio claudicante, decorrência da idade, entre as plantações e o pasto - com a segurança desejada pelos filhos.

Com isso, aliada à alegria de conviver alguns dias com meus filhos, a nora Rachel (apaixonada também pelo Pirata) e o neto Rafael, este sócio fundador e frequentador assíduo do sítio – sempre com o inestimável comprometimento e da necessária parceria da Orminda – passo a registrar novas experiência, desta vez no campo, lidando com as coisas da terra e dos animais, com a inquietação de sempre, diante da possibilidade de viver novas vidas, sem perder de vista os lugares, passagens e pessoas já vividas.

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