quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O desgaste é do MP

Evidente que o episódio do promotor Thales Ferri Schoedl, homicida/preso em flagrante, revolta e causa repugnação ao cidadão médio. Esse sentimento, ainda fica mais latente, quando assistimos o Tribunal de Justiça mandar soltá-lo e depois reconduzi-lo ao cargo - do qual foi desapeado, por ter cometido falta grave e conduta incompatível com o cargo, durante período de estágio probatório. Agora, por razões ignoradas - o processo é sigiloso - o órgão máximo do respeitável Ministério Público resolve mantê-lo no posto, sem qualquer restrição, até mesmo andar armado ele está autorizado por lei. Imaginem um policial o abordando por estar exibindo uma arma na cintura - "você sabe com quem está falando?" - "eu sou promotor de justiça e a constituição me garante!" Verdadeiramente, é um escárnio - não só para as famílias e amigos das vítimas - mas, para qualquer pessoa comum do povo. Dentro desse quadro, a revanche da sociedade é saber que a instituição Ministério Público sofrerá o merecido desgaste com o episódio - não só pela conduta repugnável de um dos seus membros - principalmente, pela perda da aura, representada pelo prestígio que sua direção tenta difundir, intitulando-se paladino da lei, da ordem e da justiça!

Ministro Lewandowski foi além do razoável

Sendo correta as informações tornadas públicas pela jornalista Vera Magalhães (matéria) - da Folha - o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, não se deu por vencido e ainda tenta favorecer José Dirceu e outros denunciados no episódio "Mensalão". Ao afirmar que "todo mundo votou com a faca no pescoço" - uma coisa ou outra - quer justificar a sua incapacidade jurídica (não teve argumentos suficientes para convencer seus pares da inocência de José Dirceu) ou procura agora fornecer subsídios para eventuais impugnações da decisão tomada (mero recebimento da denúncia). Agora - uma coisa é certa - a sua disposição para inocentar José Dirceu e outros envolvidos era manifesta, por evidente as posições isoladas que adotou como norma de procedimento durante todo julgamento. Não precisa nem admitir que "a tendência era amaciar para o Dirceu" - pelo menos a sua. Sem dúvida, o assunto e, principalmente, a conduta do ministro Lewandowski devem ser apreciados pelo Conselho Superior da Magistratura - regra básica do controle externo do judiciário!

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Contexto prevaleceu

Evidente que pairava um certo ceticismo - quanto ao recebimeno da denúncia pelo STF, contra os envolvidos no "Mensalão". A própria imprensa, aliada ou não, mantinha-se incrédula - salvo raras exceções - por não querer apostar suas fichas na instalação da Ação Penal contra os 40 denunciados. Suponho que a posição da revista da Veja - durante o episódio Renan Calheiros e Mônica Veloso - não fez escola, ao contrário, manteve outros veículos de comunicação num estado próximo da letargia. Pelo visto e ouvido, até mesmo na seara do STF, havia certo pessimismo a respeito do desdobramento da persecução criminal - felizmente as resistências foram vencidas e o contexto prevaleceu. Observa-se que os senhores ministros, no decorrer da exposição dos fatos criminosos, das provas e evidências, vão sendo tomados de indignação - quiçá perdure até o julgamento do mérito. Para o homem comum - aquele indivíduo cumpridor das suas obrigações e atento ao que se passa em seu redor - não haveria de ignorar a conduta dos envolvidos e a forma descarada como agiram. Como diria José Dirceu, no estertor da sua atuação à frente da Casa Civil, é público e notório - isso quando queria se isentar de responsabilidade pelo "mensalão! - agora vale para sustentar a condenação de todos os envolvidos. Torna-se indispensável que a imprensa assuma definitivamente o seu papel e caminhe - não ao lado, tampouco a reboque dos atos judiciais - esperando que se adiante mantendo os envolvidos sob observação e forneça, através dos meios que disponham, novos subsídios a respeito dos fatos. Definitivamente, essa passagem da vida nacional, recolocará as questões da moral e da ética na atuação política e nas questões da administração pública em outro patamar - caberá aos ministros do STF estabelecer o seu nível!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Os Filhos do Capitão Pedro

Sempre afável no trato pessoal e no seu cotidiano social. No ambiente familiar revelava uma figura serena, liberal e segura na orientação e educação dos filhos. Em nada confirmava a fama de militar durão na orientação e instrução dos atiradores do Tiro de Guerra, que comandou por décadas. Cultivava com clareza valores de civismo e defendia com ardor os valores nacionais - por vezes intervinha, ora para determinar a posição da bandeira hasteada na estação ferroviária fosse corrigida ou para exigir que o cidadão tirasse o chapéu na passagem daquele símbolo nacional - mas sem perder a razão. O censo crítico aguçado, desprovido da xenofobia então comum em seus pares, tampouco se dispunha a um ufanismo exacerbado.

A sua prole - ao que me recordo - era constituída por quatro meninos e uma linda menina, que certamente se tornaram cidadãos respeitados, não só honrando a dinastia Coppieters, como também levaram consigo a carga de valores morais e culturais - por exemplo, o hábito da leitura era adotado pelos membros daquela família - por ele difundidos na forma de educação.

Curioso que a disciplina e respeito que emanavam daquele círculo familiar não impediam que os filhos do Capitão Pedro crescessem e desenvolvessem como crianças normais. Mantinham intensa relações de amizade com a gurizada do bairro e da escola, participando ativadamente das brincadeiras, esporte e não se furtando das naturais aventuras juvenis - nadar e comer goiaba da chácara do Cristoni ou montar nos cavalos do seu Theófilo - sendo a sede do Tiro de Guerra, ainda na avenida Jacinto Sá, nos períodos de recesso de suas atividades, um local de diversão. Os bancos de madeira eram empilhados num canto e as baionetas se transformavam em nossas espadas, mas com o cuidado de não desembainhá-las.

Acho que Pierre, o filho mais velho, com seu jeito tímido e ar de intelectual, contemporâneo dos meus irmãos Aureliano e Tércio - no antigo Instituto de Educação - não se expunha como seus irmãos Percival, Péricles e Percy. Apreciava mais um papo inteligente, voltado para a literatura e política. Eloina (ou seria Heloisa?), cujo nome era homenagem à mãe dos mais velhos, além da inteligência como herança familiar, seguramente sua meiguice juvenil deve tê-la tornado numa bela mulher.

Além do Pierre, seu irmão Percival foi outro freqüentador assíduo da nossa casa. Com Péricles fui me encontrar apenas mais adiante - como concorrentes para ingresso no antigo Banco do Comércio e Indústria - evidente que sua superioridade intelectual e melhor instrução superaram as minhas parcas qualidades de goleiro do time de futebol do Comind. Depois voltamos a conviver durante o período de instrução no Tiro de Guerra, coincidente na mesma sede onde brincávamos quando crianças.

Depois de reformado, o capitão Pedro Coppieters foi morar em uma confortável casa na rua Gaspar Ricardo - bem próximo do Campo do Nacional - onde a liberdade dos seus filhos foi ainda maior. Era no quintal ou na rua As brincadeiras continuaram a se desenvolver, agora no quintal ou na rua,geralmente tranqüila. Registro que certa feita, manifesta liberalidade do pai-militar, surgiu um par de luvas de boxe - a cor era vermelha - nas mãos da molecada. Então cada oponente usava apenas uma luva. Acabei levando a pior ao me defrontar com um menino canhoto, morador na vizinhança.

Felizmente, a sabedoria e experiência de vida do capitão Pedro não foram desprezadas. Penso que a comunidade ourinhense soube reconhecer e valorizar, não só o caráter do profissional respeitado e chefe de família exemplar, mas suas qualidades de cidadão prestante, tornando-o paradigma das boas causas públicas. Pelo seu exemplo de vida e excelente estrategista, revelou-se em sábio conselheiro, sempre disposto a ouvir e emitir sua opinião a respeito de algum problema ou situação.

Enquanto isso seus filhos, com a mesma liberdade como foram criados, cada uma a seu modo, foram buscando a independência e realização pessoal. Fiquei sabendo, através do meu irmão Aureliano, que o Pierre tornou-se competente e respeitado médico. Infelizmente, nossas passagens pela cidade de Palmital ocorreram em períodos distintos. Gostaria imensamente de tê-lo encontrado. Com ele convivido e cultivado saudável relação familiar. Quanto ao Percival, o mais extrovertido, ingressou no Banco do Brasil, através daqueles difíceis, por concorridos, concursos públicos, onde certamente realizou brilhante carreira.

Logo depois do Tiro de Guerra - turma de 1964 - mudamos para São Paulo e perdi o contato com os Coppieters. Não tive mais notícia do Péricles, para o pessoal mais próximo, o "Chico". O então garoto Percy e a bonita Heloisa (ou Eloina, minha irmã Dinorá insiste nesse nome), como os demais passaram a ser figuras recorrentes em nossas boas lembranças!

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Boa tese para defesa

Quando admite que entregou o documento à juiza, mas com a ressalva que não teve a intenção de enganá-la, Denise Abreu apenas adianta a tese da sua defesa, em processo administrativo e/ou penal. Basta lembrar que o crime de Fraude Processual não prevê a modalidade culposa. Por conseguinte, sua conduta, em tese, não poderia ser tipificada como crime. Na esfera administrativa petista é outra história!

Urias Rocha - Um homem a seu feitio

A sua figura impunha respeito. Um homem de postura altiva, tez amorenada, contrastando com seu bigode e cabelos grisalhos - sempre fumando uma cigarrilha ou seria piteira? - trajando sua costumeira túnica de brim, bem antes do Jânio Quadro adotá-la como traje na Presidência da República.

Levava a sério sua profissão de pintor, com alta competência e especialização. A qualidade do seu trabalho, que desenvolvia na companhia de seus filhos, "Solim" e outros - a prole era numerosa - além de auxiliares contratados, o levava a se envolver grandes empreendimentos, como a pintura do Edifício Bradesco - recém construído.

A família Rocha morava em uma casa de madeira, na rua Pedro de Toledo, que se destacava não só pelas dimensões e extensão do terreno que ocupava, mas principalmente pelo esmero da pintura a óleo, demonstração inequívoca da capacidade profissional das pessoas que nela habitavam. Se não me engano, apenas o filho "Juca" era mecânico - torneiro da Retífica do Koga.

O comportamento do senhor Urias sempre pareceu metódico, sem dispensar curiosa excentricidade. Mesmo madrugando para trabalhar no açougue, nunca notei a sua passagem para o trabalho - como frisei, sempre realizando serviços expressivos em casas elegantes e prédios da cidade - mas, antes do cair da tarde, surgia o "Velho Marinheiro", como um dos personagens surgidos dos romances de Jorge Amado, com a fala mansa e a simpatia lembrando Dorival Caymmi - com seu andar elegante e sempre pressa, aportava no Bar do Fagá para o indispensável deleite.

Jogava bocha a ponto - era um bom ponteiro - mas destacava no jogo de "truco" onde revelava toda sua verve e criatividade. Ainda guardo expressões que lhe eram peculiares:- "sapicuá de lazarento", "mamica de porca velha", "cavalo comedor, cabresto curto" e outras impublicáveis. Quando surpreendia um adversário blefando - o advertia:- "se te surpreendo estais brincando, mas se corro da trucada, estarás me roubando".

A sua fala era calma e pausada, enfatizando um ar de sabedoria - efetivamente a tinha - destilando conceitos e comentários que deixavam seus adversários desconcertados. Enquanto o garoto que a tudo assistia, como que hipnotizado pelo encantamento irradiado pela expressiva figura humana - fixava-se em cada gesto ou palavra.

Ao lado daquele homem brincalhão, o senhor Urias revelava-se um cidadão respeitado - não só na profissão - no âmbito familiar detinha total controle sobre seus filhos, ainda que numerosos os mantinha sob suas vistas e seu exemplo de vida, retidão nos negócios e de caráter, certamente foram qualidades irradiadas para seus descendentes.

Ainda assim, consta que contrariado ou afrontado na sua profissão, perdia aquela doçura e sua elegância se transformava em valentia difícil de ser controlada. Houve ocasião para demonstrar sua capacidade de indignar-se - evidente que seus desafetos não a esqueceram.

Era manifesta sua paixão pelo esporte e seus filhos - traziam, sem exceção, no nome o sufixo indistinguível da origem germânica apreciada pelo pai - não o frustaram, os rapazes eram bons de bola. Desde o campinho do cemitério velho, com o Laércio, filho do carroceiro, Toni, do senhor Júlio Poteiro e outros, até integrarem os grandes times do Esporte Clube Operário exibiram classe e a garra própria dos moradores da Barra Funda. Não tenho notícia se algum deles jogou pelo Ourinhense.

Enfim, o senhor Urias Rocha tornou-se uma daquelas figuras - quase irreal - que povoou por décadas o imaginário do ourinhense ausente e acabou se tornando personagem de suas recordações - agora reproduzidas na forma de homenagem !

Deputado firma-se na região de Piracicaba

A distância acompanho a trajetória do deputado Roberto Felício. Constato que o vazio de lideranças petistas em Piracicaba, permitiu que Felício surgisse como opção eleitoral e acabou se firmando como representante da cidade e região. Evidente que sua liderança junto ao magistério paulista - foi presidente da Apeosp - contribuiu sobremaneira em suas eleições para a Assembléia Legislativa. Embora sua origem política seja o Bairro de Santana, na Capital do Estado, a imprensa tem noticiado com destaque sua participação em assuntos de interesse da região de Piracicaba. Ao que parece, enquanto isso, as novas lideranças petistas - patente o esvaziamento do partido no município - não tem conseguido emergir do marasmo instalado desde a última gestão do José Machado. Apenas uma constatação!

Polícia Civil - merece prédios novos!

Evidente que a melhoria dos prédios públicos é sempre motivo de satisfação, já que revela preocupação da administração em dar melhores condições de trabalho para os seus funcionários e, com isso, oferecer serviço de qualidade para o público. É bom saber que a Polícia Civil dispõe de verbas para realizar reformas em prédios que abrigam suas unidades na região de Assis. Mas causa preocupação constatar que a Polícia Civil há décadas - ia dizer mais de 50 anos, mas poderia estar exagerando - não obtém do Governo do Estado locação de verba orçamentária para construção de novas instalações na cidade de Assis e em outros municípios expressivos do Estado - outro exemplo é a cidade de Piracicaba. Posso estar enganado, mas desde 1973, o único prédio próprio da Polícia Civil é a antiga Delegacia de Polícia Município - na rua Joaquim Galvão de França n° 54 - os demais são alugados ou cedidos pela muncipalidade. Seguramente, nesse período, o município pode ter diminuido sua extensão territorial - com o desmembramento do Distrito de Tarumã - mas sua população e área urbana praticamente dobraram. Ainda assim, a Polícia Civil continua prestando relevantes serviços à comunidade - não só na área de Polícia Judiciária, como na arrecadação de impostos (IPVA) e taxas através da Ciretran, e, identificação civil, dando caráter à cidadania - mesmo adaptando os seus serviços às condições oferecidas, sempre buscando suprir eventuais dificuldades com inteligência e criatividade, na melhor forma de atender a população.

domingo, 19 de agosto de 2007

"Catso" de liberalismo

Acho que a expressão é italiana - ao deparar com situação insólita. Agora, diante da atual crise - justificada pela má qualidade das hipotecas imobiliárias americanas - surgem os BCs. intervindo para socorrer suas economias da inevitável hecatombe. Haveríamos de indagar:- "Catso" - numa economia globalizada, fruto do liberalismo exacerbado, teria sido o risco eliminado do mercado de capitais? Evidente que não - continuará existindo para o investidor incauto.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Leitura - mais do que dinâmica

A televisão noticiou que a Justiça Pública aceitou denúncia do Ministério Público, deflagando ação penal contra os proprietários e advogado - totalizando sessenta e duas pessoas - da Petro Fort-distribuidora de combustível, pela prática de nada menos que doze (12) modalidades delituosas. O promotor Arthur Migliari Filho deu entrevista, informou que a denúncia foi oferecida na sexta-feira última e exibiu na ocasião o processo com mais de 180 volumes. Considerando que a notícia veiculou na segunda-feira seguinte, pode-se deduzir que a capacidade de leitura do juiz de direito responsável é invejável - quiçá sobrenatural - ou não chegou a ler todas as peças processuais, o que seria até compreensível, face a exiguidade de tempo, mas não aceitável, diante da relevância da decisão proferida!

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