domingo, 17 de fevereiro de 2008

Os filhotes do Conte Lopes!

Para quem não sabe, Conte Lopes foi oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, teria integrado a ROTA e outras formações amestradas para o confronto e tomou como lema em sua campanha política a expressão:- "bandido bom é bandido morto". E com isso, vem se reelegendo deputado estadual - continua jactando-se do número de mortes que realizou. Evidente que a orientação militar da polícia uniformizada estadual colaborou para que segmentos da corporação tomasse o policiamento preventivo, que lhe cabe por regra constitucional, como operação de guerra, onde a morte do oponente não está descartada - em alguns casos é até programada. Ainda assim, o espírito humanista e o respeito às regras estabelecidas prevalecia e os filhotes do Conte Lopes eram mantidos sob controle - muitos acabaram afastados da atividade fim e precisaram se adequar ao rigor do Regulamento Disciplinar. Como sempre ocorre em situações como essa, a erva daninha foi disseminada pelas unidades da Polícia Militar. Os famigerados autos de resistência - ao invés de homicídio qualificado - tornaram-se regras para definir as mortes de suspeitos em confrontos com a polícia. A versão do confronto e da reação - legítima defesa ou exercício regular de um direito - ainda que falsos e claramente simulados prevaleceram ou simplesmente passaram a ser tolerados, não só pela autoridade policial, como também pelo Ministério Público e Poder Judiciário. Lembram-se que o governador Mários Covas foi espirraçado quando afastou os policiais envolvidos em mortes - a própria corporação subverteu essa medida. Assim, primeiro a formação militar, depois o incentivo para o confronto e por último a tolerância acabaram por ver adotada a filosofia Conte Lopes. Cada guarnição, a seu bel prazer passou a estabelecer as regras e formas de agir - ou melhor - executar suas vítimas. Agora, quando alguns corajosos e abnegados oficiais tentam retomar a boa-causa, reprimindo esses grupos - sucessores do famigerado esquadrão da morte - encontram feroz resistência e são intimidados até mesmo com a morte - outros preferem homisiar em unidades do interior e muitos se acomodam no conforto da desídia. Resta o consolo de saber que em outros tempos, apenas um promotor de justiça enfrentou e fez cessar a ação de um grupo de matadores - de aluguel ou não - certamente mais poderoso que esse incrustado na Polícia Militar.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Delegado geral cultua personalidade

Como ocorre anualmente, recentemente recebi um cartão do delegado-geral de polícia de congratulações pela passagem do meu aniversário. Embora saiba que o ato não tenha maior significado, já que não nos conhecemos - aliás, situação idêntica ao dos seus antecessores. Desta vez, a correspondência me deixou intrigado, por deparar na parte superior do cartão, em posição de destaque, as iniciais "ML" ou "MF" na forma estilizada. Por supor que o impresso foi confeccionado com recursos públicos, o registro merece publicidade por se tratar de culto à personalidade do jovem dirigente, com evidente uso do cargo para sua projeção pessoal. Ainda que o material tenha sido obtido com recursos próprios, o meio utilizado para distribui-lo foi impróprio. A indignação é justificada e a correção da conduta pode ser voluntária ou coercitiva!

Manter-se incógnito - era a opção Ciro Gomes!

Desde o imbróglio dos cartões corporativos, envolvendo os governos atual e o anterior, o deputado Ciro Gomes, candidatíssimo à presidência em 2010, vinha se mantendo incógnito. Até mesmo contrariava seu temperamento neopetista e manifestamente anti-tucano - lembram-se que ao assumir um ministério adotou até a barba por fazer, antiga marca petista. A distância supunha que fosse sua estratégia deixar as duas forças políticas (PT e PSDB) se engalfinharem em acusações recíprocas, enquanto ele, que já integrou as duas correntes políticas, auferia os dividendos político/eleitoral. Com isso, mais adiante, sua candidatura poderia se tornar viável, adquirindo consistência política até o momento não demonstrada. Mas caiu em tentação! Talvez levado pelo amor a uma cria, que ajudou a gerar, mas que não viu nascer - transposição do Rio São Francisco - acabou trocando os pés pelas mãos, numa discussão grosseira com a atriz Letícia Sabatella, sobre um assunto que já não lhe diz mais respeito. Pelo menos é o que se acreditava!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O segurança orinhense

Embora houvesse alguma preocupação com a segurança - o furto de galinha e de outros animais era comum - ainda não existia essa fobia por nos manter a salvo da ação de marginais. Tampouco existiam empresas de segurança ou agentes do poder público dispostos a emprestar suas horas de folga e experiência profissional para garantir a segurança patrimonial e pessoal do cidadão, da sua família e da sua empresa.

Eram poucas as empresas que mantinham um vigia noturno zelando por suas instalações. Além da reduzida força policial, a cidade contava apenas com alguns vigias noturnos autônomos. Penso que o voluntário se propunha a manter vigilância sobre determinadas ruas mediante mensalidade paga, também voluntariamente, pelos moradores da área. O apito estridente soando pelas noites ourinhense dava conta da presença do guarda noturno.

Por ocasião de eventos, em geral esportivos, sempre havia uma pessoa de confiança da diretoria ou organizador cuidando para que não houvesse “penetras”. A maioria eram moleques que se dispunham a “vazar” através das cercas e muros que vedavam precariamente os estádios do Operário e do Ourinhense. Nessas ocasiões já aparecia o guarda noturno fazendo “bico” durante o dia, com sua farda caqui, ou se contratava um “saqueiro”, homens fortes que faziam o transbordo de mercadorias dos caminhões para os vagões da ferrovia – impunham respeito, aliás como ocorre agora com os seguranças das casas noturnas..

No campo do Ourinhense, durante os jogos de domingo à tarde, quem se atrevesse a “vazar”, inevitavelmente ia deparar com o temido “Pescocinho”. Negro forte, desses atarracados sem muita altura, além dos braços musculosos, ainda carregava um cajado para dissuadir os incautos. Segundo a lenda, seu apelido decorria do pescoço curto e a cabeça pendida para um dos lados, por causa de um acidente de trabalho – ao amparar um saco de cereal de 60 quilos (pico de trinta*) os braços fraquejaram e sentiu-se na obrigação de sustentar a carga na cabeça - manteve o orgulho de não deixar a mercadoria cair, mas acabou sofrendo as conseqüências do ato impensado. Ainda assim, recuperada suas forças, voltou a carregar sacaria nos armazéns então existente ao lado da passagem de nível da rua do Expedicionário / Duque de Caxias. No dia-a-dia era uma pessoa dócil, bem humorada e chefe de família exemplar.


Ao lado de “Pescocinho”, existiram outros saqueiros, personalidades curiosas pela simplicidade ou excentricidade que apresentavam. Ainda no Campo do Ourinhense, como torcedor assíduo, sempre aparecia o “Conde”. Exibia uma disposição incomum. Movido a alguns aperitivos, costumava postar-se no último degrau da arquibancada, em geral vazio por estar próximo do alambrado, e correndo de um lado para o outro mostrava todo seu entusiasmo e aos gritos incentivava o seu time do coração. Anos depois fui encontrá-lo em São Paulo – zelava por uma residência vizinha à casa do meu irmão Aureliano, no bairro do Pacaembu – ainda forte e bem humorado.

Outra figura inesquecível – merece capítulo a parte - foi “Paulão Mentiroso”. Indivíduo alto, de corpo esguio, fala cantada lembrando o caboclo mineiro, com as pernas longas andava sempre apressado. Quando indagado sobre o motivo da pressa, sem hesitar, fazia jus ao apelido respondendo com o ar compenetrado:- “ estou atrás do meu passarinho que fugiu com a gaiola e tudo “. Quando não, falava das suas pescarias:- “numa delas o peixe era tão grande e precisou empregar força que formou uma curva no rio, em outra falava que apenas a fotografia do peixe pesou dois quilos”.

Como registro, merece ser lembrado que os “saqueiros” formavam uma categoria organizada, inclusive possuíam uma sede na avenida Jacinto Sá, ao lado do Bar do senhor Ferreira, próximo da rua Maranhão. Certa noite, levado pela curiosidade da aglomeração no local, deparei com o jovem professor Franco Montoro, exibindo um farto bigode preto, então candidato a deputado estadual pelo PDC, discursando para os atentos trabalhadores – certamente foi eleito e tornou-se a consagrada expressão política nacional.

Sob o efeito da evolução da sociedade brasileira e sua modernização, dentre outras profissões – chapeleiro, alfaiate, tintureiro ... - os “saqueiros” também assistiram sua atividade esvaziar-se. No seu caso foram substituídos pela esteira mecânica, carregadeiras elétricas e transporte a granel, restando apenas a lembrança e saudade dos seus personagens !


* “pico de 30” - tamanho da pilha de sacos de café, milho, feijão ou arroz, formando 30 camadas, alcançava 15 a 20 metros de altura.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Militar Estadual - é uma excrecência

O imbróglio oferecido pelos oficiais superiores da Polícia Militar do Rio de Janeiro, dá bem a idéia da excrescência jurídica / constitucional que é a existência do Militar Estadual. Primeiro, é sempre bom lembrar que se trata de entulho autoritário produzido no auge do regime militar - em
1969, houve uma pseuda extinção de todas as corporações fardadas e a criação e uma polícia uniformizada única, denominada Polícia Militar, por respeito à tradição a denominação Brigada Militar do Rio Grande do Sul foi preservada. Por covardia ou omissão, os constituintes de 1988 mantiveram essa excrescência - aliás, os legisladores constituintes se renderam a duas siglas que se utilizam das mesmas letras, apenas invertidas, PM e MP. Tanto a Polícia Militar, como o
Ministério Público, obtiveram na Constituição de 1988 atribuições nunca antes gozadas por nenhuma corporação. Criaram-se dois monstros, com formatos, poderes, regalias e capacidade de manipulaçao ainda não bem conhecidos, mas com sobeja ambição de se tornarem um poder paralelo - quiçá dois - à formação republicana. Em relação à Polícia Militar, não se pode admitir a existência de militares subordinados aos governadores dos estados, já que não cabe aos Estados - constitucionalmente falando - organizar força armada. Aliás, como os integrantes das policiais militares podem ser considerados militares, se atuam exclusivamente na segurança pública - atividades definidas no Artigo 144 da CF - enquanto, a organização e atuação dos militares estão definidas no Artigo 142
da CF que trata especificamente das Forças Armadas. A discrepância ainda fica mais ofensiva ao entendimento comum quando deparamos com a existência de uma Justiça Militar Estadual - até
pouco tempo atrás, a justiça castrense estadual julgava com exclusividade os policiais militares (muitos casos emblemáticos alcançaram absolvição) até mesmo nos crimes de homicídios e execuções sumárias. A postura de um coronel da PM do Rio de Janeiro, responsável pela Corregedoria, justificando a conduta de policiais ladrões, por serem mau pagos, manifestou a mesma afronta que o Colegiado do Ministério Público do Estado de São Paulo demonstrou quando manteve em seus quadros dois promotores assassinos. No Rio de Janeiro a afronta foi pior, o Comandante Geral transferiu o Corregedor para a direção de ensino da corporação - onde, seu ideário de conduta e justiça,
certamente seria propagado. A coragem do Secretário da Segurança Pública do Rio de Janeiro - essa autoridade, que em todos os Estados sempre exerceu o papel de Rainha da Inglaterra, por não ter controle sobre a Polícia Militar - restabeleceu a ordem constitucional, exonerando o Comandante Geral da PM/RJ e enfrentando a insubordinação de um grupo de oficial superiores da corporação. Talvez por estratégia, os militares arrefeceram a posição de intransigência - frente a autoridade civil - rendendo-se à evidência que agiam a socapa da lei e do interesse público. O episódio, por sua gravidade e importância para normalidade democrática, poderia ser melhor explorado e ensejar ampla discussão sobre a reforma da organização policial brasileira - o atual estágio de evolução da nossa sociedade e o péssimo serviço prestado pelas corporações existentes - exigem ver esse
importante serviço público aperfeiçoado e melhor organizado, como forma de eliminar essa e outras escrecências. Tudo sem descuidar do Ministério Público!

Rádios, não tocam músicas como antes

O segmento musical brasileiro está em crise. As grandes gravadoras fecharam, faliram ou buscaram outros segmentos para garantir algum espaço - exemplo, a música clássica, jazz ou mesmo o "funk" ou "axé". A produção de boa qualidade da MPB ficou restrita a novos compositores que não conseguem
divulgação, ficam restrito ao circuito universitário - se ainda existir - ou a poucas casas nortunas fieis ao "banquinho e violão". As rádios com audiências expressivas direcionaram suas programações para a informação - notícias, entrevistas e comentários - procurando tornar-se formadoras de opinião. Algumas, como a rede CBN, desde a sua criação optaram pela notícia - dando ensejo ao slogan "a rádio que toca notícia". A rede Bandeirantes, embora dê ênfase para o esporte, salvo as manhãs de domingo, quando apresenta seu tradicional programa musical, também procura
privilegiar a informação. A música, em geral de péssima qualidade, ficou restrita às emissoras de alcance apenas regional - salvo algumas na faixa FM, como é o caso da Educativa (Municipal) de Piracicaba, Itapema de Florianópolis, manteêm razoáveis programações musicais. Regra geral, as rádios perderam audiência, atualmente as pessoas preferem manter seus aparelhos MP3, com seleção musical de seu gosto, que ouvem individualmente, enquanto caminham, estudam ou viagem. A constatação é que as rádios, tanto AM, como FM, já não tocam mais músicas como antigamente!

Telemar fez escola

Evidente que a Telemar está obtendo o retorno do seu investimento na produtora de vídeo-game do "Lulinha". Atualmente, governo petista evida esforços no sentido de facilitar a compra da Brasil Telecon pela Oi (antiga Telemar) - não importando se as regras do "jogo" estão sendo alteradas.
Agora, assistimos o Wanderley Luxemburgo levar outro "Lulinha" para trabalhar com ele no palmeiras. Sabendo que o Luxemburgo tem pretensão de montar uma Universidade do Esporte (leia-se futebol). Não fica difícil antever que - mais adiante - o "esperto" treinador também busca obter alguma facilidade do governo petista. A guisa de registro, lembro que mesmo político que empregou na política a expressão "é dando que se recebe", gostava de repetir que o homem comum é sempre grato a quem lhe presta favor - no caso, é quem o favorece (ou aos seus... ). Realmente, a Telemar fez escola - ou teria sido o advogado Roberto Teixeira, que primeiro emprestou a casa e depois "vendeu" um apartamento para o presidente petista?

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Missa de corpo de presente!

É um ato religioso, mas também pode definir comportamento do bom administrador. Solange Vieira, atual presidente da Anac, durante os feriados de final de ano, pessoalmente acompanhou o movimento dos aeroportos brasileiros. Trajando colete da Anac compareceu ao aeroporto para se inteirar dos problemas, ouvir usuários e, certamente, fiscalizar o bom andamento dos serviços prestados pelas empresas áreas. Sua presença também serviu para dar o padrão de conduta para seus subordinados. Agora, leio que o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi, empresa vinculada à Anac, se propõe a comparecer nos aeroportos, durante os feriados do carnaval, com o mesmo propósito. A atitude de Solange Vieira e agora de Sérgio Gaudenzi, remeteu à figura de Jânio Quadros. Há registros que o então governador paulista, nos finais de semana, costumava-se postar em postos da polícia rodoviária e orientava os policiais (mandava mesmo!) a parar os veículos oficiais que por ali trafegassem. Dizem que Jânio, pessoalmente, entrevistava os motoristas e ocupantes desses veículos, para inteirar do motivo da viagem. Quando não convencido da conveniência e oportunidade do uso do carro oficial, o veículo era retido e o responsável - toda cadeia administrativa - pela sua utilização indevida era chamado a justificar-se. Evidente que a direção da Anac encontrará dificuldades para solucionar os problemas da aviação brasileira, mesmo porque a administração da área é complexa e a intervenção militar é um complicador. Que os bons ventos da Anac alcancem outras áres da administração federal!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Futebol - casa da "Maria Joana"

Já foi o tempo que o dirigente de futebol era pessoa com boa situação financeira, que se dispunha a gastar seu dinheiro pelo prazer de presidir um clube de futebol. Ainda hoje, um desses mecenas praticamente mantém um time de basquete na cidade de Ourinhos - o prestígio é pessoal, sem outros interesses! É verdade que assistimos alguns aventureiros, até mesmo gerente de banco, assumir essa condição - a última passagem da Associação Esportiva de Jacarezinho, pelo futebol profissional paranaense, contou com um desses personagens. O final foi melancólico! Isso para não dizer criminoso. D'Abronso, então magnata da Caninha Tatuzinho, manteve o time do XV de Piracicaba sob suas expensas, por décadas. Por essas e por outras, assistimos muitos clubes de futebol profissional do interior sucumbirem, em meio a má gestão, dívidas trabalhistas e abandono (por morte, falência ou ameaça de prisão) por esse misto de "dono", "dirigente" ou "malfeitor" da associação esportiva. Agora, estamos a assistir uma nova plêia de dirigentes esportivos - preferem cargos nas entidades federativas - em sua maioria oriundos das carreiras públicas de estado. O Estado do Rio de Janeiro, em situações dessa natureza, sempre é precursor. Um juiz de direito presidiu por décadas o Tribunal de Justiça Esportiva - parece que o Conselho Superior da magistratura interveio e ele acabou promovido à Desembargador do Tribunal de Justiça e dali continua a intervir na área esportiva. Sugerem que esse magistrado estaria a garantir a permanência de Eurico Miranda, na direção do Vasco, apesar da existência de uma eleição (impugnada) que o teria defenestado do posto. Em outros clubes e federações estaduais, estamos a assistir uma avalanche de policiais, membros do ministério público e advogados, das mais variadas matizes, interagindo sem qualquer escrúpulo, em todas as instâncias do esporte bretão. É um delegado de polícia que se torna figura exponencial no conselho deliberativo de um clube popular - inclusive denunciando malversação de dinheiro oriundo de parceria por ele apoiada em tempos passados. Outro delegado tornou-se membro do tribunal de justiça esportiva, certamente reconhecida pela mesma origem "arabe" do então presidente. No mesmo colegiado deparamos com promotores de justiça, sempre levados pelo combate à violência no estádios, acabam se encastelando nessas
entidades - em geral, dali se retiram, eleitos para ocupar uma cadeira no parlamento. Outro caso bem mais evidente, onde o tráfico de influência e favorecimento pessoal ficam nítidos, envolve um oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Por décadas esse policial comandou o policiamento nos estádios de futebol - tornando-se especialista nas coisas do futebol. Numa dessas mudanças de guarda - Farah deu lugar ao Del Nero - o foi escolhido para dirigir o departamento de árbitro da FPF. Certamente, a convivência extra-campo, forneceu-lhe subsídios suficientes para
o mister. Aliás, como ocorre com os demais cristãos novos que passaram a habitar o espaço esportivo. As razões e objetivos são os mais diversos - prestígio, poder, projeção pessoal e/ou
alguma remuneração extra! Quem sabe. Enquanto isso, o torcedor continua a se esfalgar nos estádios imundos e sem segurança do Estado e do País.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O proselitismo do coronel Paúl - PM do Rio de Janeiro

A princípio a situação parecia irreal, mas a intenção do coronel Paúl, então coregedor da PM do Rio de Janeiro, acabou revelada. Esse oficial, por ocasião da prisão de um grupo de PMs., surpreendidos quando saqueavam a carga de um caminhão de cerveja, ainda na condição de corregedor, tentou justificar a conduta dos policiais, afirmando que se tornavam alvo fáceis por serem mau remunerados. A impropriedade do comentário resultou no seu afastamento da Corregedoria da corporação, mesmo porque sua postura frente a uma conduta incompatível com a ética, decoro e código penal, foi de complacência, compreensão e solidariedade aos infratores, quando se esperava do corregedor, uma posição firme e enérgica, com vista a coibir e punir os autores de fatos como esse.

O irrealismo da situação não se resumiu ao comportamento do coronel Paúl e sua exoneração do cargo de confiança. Estranhamente, quase fazendo coro à irresponsabilidade do oficial, o comandado geral da PMRJ houve por bem designá-lo para a diretor de ensino da corporação. Ingenuidade ou irresponsabilidade? Não havia posto melhor para o coronel Paúl difundir seus conceitos e orientações - agora, seu proselitismo terá repercussão junto a tropa e será assimilado durante o periodo de formação dos novos policiais militares. No último domingo, coerente com sua tese e com a desenvoltura de um novo guru, tomou a frente da manifestação dos PMs do Rio de Janeiro reivindicando melhoria salarial. Quiçá está surgindo um candidato à assembléia legislativa - mais um lídimo representante da operava polícia carioca!

Todos os direitos reservados.