Os filhotes do Conte Lopes!
Para quem não sabe, Conte Lopes foi oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, teria integrado a ROTA e outras formações amestradas para o confronto e tomou como lema em sua campanha política a expressão:- "bandido bom é bandido morto". E com isso, vem se reelegendo deputado estadual - continua jactando-se do número de mortes que realizou. Evidente que a orientação militar da polícia uniformizada estadual colaborou para que segmentos da corporação tomasse o policiamento preventivo, que lhe cabe por regra constitucional, como operação de guerra, onde a morte do oponente não está descartada - em alguns casos é até programada. Ainda assim, o espírito humanista e o respeito às regras estabelecidas prevalecia e os filhotes do Conte Lopes eram mantidos sob controle - muitos acabaram afastados da atividade fim e precisaram se adequar ao rigor do Regulamento Disciplinar. Como sempre ocorre em situações como essa, a erva daninha foi disseminada pelas unidades da Polícia Militar. Os famigerados autos de resistência - ao invés de homicídio qualificado - tornaram-se regras para definir as mortes de suspeitos em confrontos com a polícia. A versão do confronto e da reação - legítima defesa ou exercício regular de um direito - ainda que falsos e claramente simulados prevaleceram ou simplesmente passaram a ser tolerados, não só pela autoridade policial, como também pelo Ministério Público e Poder Judiciário. Lembram-se que o governador Mários Covas foi espirraçado quando afastou os policiais envolvidos em mortes - a própria corporação subverteu essa medida. Assim, primeiro a formação militar, depois o incentivo para o confronto e por último a tolerância acabaram por ver adotada a filosofia Conte Lopes. Cada guarnição, a seu bel prazer passou a estabelecer as regras e formas de agir - ou melhor - executar suas vítimas. Agora, quando alguns corajosos e abnegados oficiais tentam retomar a boa-causa, reprimindo esses grupos - sucessores do famigerado esquadrão da morte - encontram feroz resistência e são intimidados até mesmo com a morte - outros preferem homisiar em unidades do interior e muitos se acomodam no conforto da desídia. Resta o consolo de saber que em outros tempos, apenas um promotor de justiça enfrentou e fez cessar a ação de um grupo de matadores - de aluguel ou não - certamente mais poderoso que esse incrustado na Polícia Militar.
