segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Botina 'TESTA DE TOURO'

O primeiro par foi comprado na Sapataria Nunes, recém-aberta na avenida Jacinto Sá, esquina com Gaspar Ricardo, onde hoje está instalada a Sorveteria Pinguim- ali também já havia funcionado a Pensão Italiana, da família Padilha (avós da Orminda), depois da dona Itália, mãe do Natal e o Bar do Bernardo, talvez o último bar noturno da cidade e reduto da boemia.

Reconheçamos não se tratava de um calçado mais confortável - sua ponteira e o calcanhar eram reforçados por um material resistente, rígido e praticamente indestrutível. Nada comparado com um "Bibo", "Picolini" ou Scatamachia, que aprendi admirar e desejar, mais adiante usufruir do seu conforto - esta última marca, no seu modelo clássico sem costura, era a predileta do senhor Narciso Migliari, a quem prestava serviço de engraxate.

Quando ganhei – melhor seria dizer, conquistei no grito - meus irmãos Tércio e Aureliano já desfilavam com suas botinas novas, ainda com alguma dificuldade de andar, os pés estavam mais acostumados ao caminhar descalços e as botinas eram pesadas, mas suportavam chutes em latas e até pedras. Não eram muito ajeitadas para o controle da bola (de meia, quando muito de tentos) e os chutes no futebol.

Sendo o filho caçula, ainda na infância – ali pelos cinco ou seis anos - não foi muito difícil convencer meus pais a comprar a sonhada "testa de touro". Podem logo perceber que as minhas dificuldades foram maiores: primeiro para calçá-las, o pé tem que alcançar o interior da botina "meio de lado" e depois virar para – com o perdão da palavra - acomodar-se dentro daquela forma; segundo, uma vez calçado, a sensação era de uma armadura, quase de um escafandrista, mudar os passos e caminhar em linha reta era uma aventura. Correr então? Nem pensar. Ainda sem muito uso, a botina – apesar de muito reclamada – foi abandonada num canto da casa, na época o mais comum, era debaixo da cama mesmo.

Esse episódio foi relembrado durante a troca de presentes do último Natal – dezembro de 2010 – o primeiro que passamos aqui no Sítio "Canto das Siriemas". Para deleite das "crianças" - o certo seria apetite – preparava o consagrado "miolo de alcatra", inteiro, envolto no sal grosso, na beira da grelha da churrasqueira, que concorria com a costela de leitoa que teimosamente abandonou o freezer acompanhando as "picanhas. Enquanto conversávamos esperando a "meia-noite", adiantava os "petistos" - linguiça de pernil e pedaços de frango. O centro das atenções era o "Pirata", filhote de cachorro, sem raça definida, nossa primeira conquista aqui do sítio (ganhamos de um vizinho) de cor branca, com manchas pretas, uma delas envolvendo seu olho direito, justificando assim o apelido.

Durante a troca de presentes, desta vez foi o meu caçula Gustavo - esses caçulas! - ao me presentear, surpreendeu-me ao oferecer uma bela botina, nos moldes da "testa de touro", já bem mais elaborada e muito mais confortável. É verdade que não foi a primeira que surgia aqui no sítio, o Noel Jr. que, ao lado do seu irmão Solano, também já pegara gosto por calçado de qualidade – aqueles que não precisam "lacear "- apareceu com uma botina amarela, da qual eu já compartilhava nas suas ausências. Para fazer justiça, lembro que Gustavo é educador e esportista, razões pelas quais seu calçado preferido é o tênis, quando não o chinelo de dedo.

Com receio de encontrar dificuldades para calçar a botina nova deixei para experimentá-la longe dos olhos ávidos por um percalço ou uma "mancada" literal do "meu velho", como eles costumam se referir ao pai. O número estava correto, consultado o neto Rafael, preferido por ser o único, já havia confirmado o tamanho. Apenas hoje, quando comecei a lidar – tratar das novilhas e da vaquinha de leite, limpar o galinheiro, recolher os ovos e cuidar da horta – com os afazeres diários do sítio, pude calçar (com aquelas mesmas dificuldades) o novo calçado, isso depois de proteger preventivamente os dedos dos pés com esparadrapos. A minha nova "testa de ouro", ainda traz reforços no bico e no calcanhar, agora suficientes para assegurar um caminhar seguro - ainda que meio claudicante, decorrência da idade, entre as plantações e o pasto - com a segurança desejada pelos filhos.

Com isso, aliada à alegria de conviver alguns dias com meus filhos, a nora Rachel (apaixonada também pelo Pirata) e o neto Rafael, este sócio fundador e frequentador assíduo do sítio – sempre com o inestimável comprometimento e da necessária parceria da Orminda – passo a registrar novas experiência, desta vez no campo, lidando com as coisas da terra e dos animais, com a inquietação de sempre, diante da possibilidade de viver novas vidas, sem perder de vista os lugares, passagens e pessoas já vividas.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Polícia atuante, pode fazer a diferença

A recente intervenção policial em alguns morros da cidade do Rio de Janeiro, com a intensa cobertura da imprensa, deu ensejo a acalorada discussão envolvendo estudiosos das questões e oportunistas de ocasião, focando o episódio e a questão "segurança pública". Ou, como gosta de afirmar conhecido professor e jornalista de uma cidade do interior:- "a polêmica gestão policial..." expressão, quando desacompanhada de outras considerações a respeito de e eventuais excessos ou possíveis acertos, beira a aversão por um assunto ( ou pessoa ) que não conhece.

O momento, suponho oportuno também para refletir sobre a minha atuação como policial – guarda civil, escrivão e delegado de polícia – na prática, um modelo inexistente de carreira única. Isso por mais de trinta anos, sempre trabalhando na atividade fim – policiamento preventivo e repressivo - prestando serviço em mais de duas dezenas de cidades, incluindo a Capital.

Por certo, diversos foram os momentos que marcaram essa caminhada, mesmo porque as décadas de 60, 70, 80 e 90 foram ricas em episódios "verdadeiramente polêmicos" – renúncia do presidente eleito com grande apelo popular; interrupção do regime democrático; sequência de governos militares; surgimento dos esquadrões da morte; restauração da democracia; planos econômicos; assembleia constituinte … - com os quais, por uma questão de cidadania ou dever de ofício, convivi ou deles estive bem próximo.

Portanto, não é difícil imaginar que assunto não faltaria, tampouco situações ou personagens para descrever e/ou justificar o título do texto, tanto para criticar ou ressaltar a intervenção policial, como órgão responsável pela manutenção da lei e da ordem – elementos essenciais para preservação da paz social.

Por mais que resistisse em não ressaltar alguns feitos – até mesmo para não incorrer em vitupério - pincei das minhas lembranças algumas intervenções que fazem jus, ainda que numa dimensão muito menor, ao momento em que vivemos. A primeira diz respeito ao policial que restabeleceu a lei e a ordem das tardes de domingo de uma praça, resgatando a paz social e restituiu o espaço público, subtraído por infratores contumazes, para uso ordeiro de toda comunidade. Em outra ocasião, a sensibilidade e parceria de diversas áreas da administração pública permitiram remover do centro de uma área urbana, densamente povoada, um depósito de material reciclável ( ferro-velho) que infestava, fazendo proliferar insetos e outros inconvenientes voltados para a saúde pública.

Esses acontecimentos se passaram passou entre abril de 1986 e março de 2.000, na cidade de Palmital – SP, quando ainda recente no cargo de delegado de polícia, recebia a incumbência de dirigir, no âmbito da Polícia Civil, as questões relacionadas com a segurança pública naquela comarca – certamente incluindo os municípios de Platina, Ibirarema e Campos Novos Paulista.

Como reconhecimento, registro que

ali encontrei uma plêiade de policiais conscientes e disposta a fazer a diferença. Por outro lado, uma população ávida por segurança, na expectativa de um tratamento sério, com responsabilidade e orientado ao bem estar de todos.

Lembro que Palmital, como sede da Comarca, além dos problemas inerentes dessa condição – fórum, ciretran, cadeia pública, aproximadamente 1.200 propriedades rurais, com extensa rede de estradas municipais, divisa de estados e margeando seu território uma rodovia perigosa - os órgãos policiais ali instalados ressentiam da falta de efetivo, carência de viaturas e instalações inadequadas para abrigar e desenvolver com eficiência suas atribuições.

Cabia então a cada policial, a responsabilidade de superar as dificuldades e encontrar no empenho, dedicação e criatividade os meios para atender a demanda crescente pelos seus serviços.

Não parece, mas já decorreu praticamente um quarto de século e, mesmo levando em conta a evolução da vida nas cidades, efeitos decorrentes do êxodo rural e do aumento dos considerável do número de veículos. Ainda que a atividade policial tenha obtido de ganhos na área técnica, não seria descabido consignar que a maioria dos problemas e dificuldades atualmente enfrentados já existiam naquela época:-

na área da polícia civil, as instalações permanecem as mesmas e ao pessoal pouco foi acrescentado;

a cadeia pública, ainda do tempo da "Mariazinha criminosa ...", não oferece condições mínimas de segurança, intriga saber que recebe presos de toda região, até mesmo de Ourinhos;

apenas a polícia militar, ao que nos revelam as notícias, apresenta algumas melhorias em suas instalações e no seu efetivo;

por seu lado, os índices de criminalidade e registros de ocorrências, cada vez mais graves parecem ter agravado;

quanto aos serviços prestados, pelos comentários e reclamações, indicam pouca melhoria, supostamente decorrente de inovações introduzidas.

Retornando ao tema proposto, não poderia deixar de discorrer, até mesmo para satisfazer a curiosidade dos leitores, sobre os episódios destacados – se outro motivo não houvesse, até mesmo para não cair no esquecimento e servir como exemplo, valorizando a atuação dos agentes envolvidos e reconhecer os seus feitos - por nos parecerem bem atuais.

Apesar de conhecer a cidade, logo procurei me inteirar do seu cotidiano, incluindo a circulação de veículo e convivência dos concidadãos, mesmo porque gozava da fama de pessoal valente, causando indignação saber que a Praça Santo Antônio, no Bairro Paraná – local de quermesses e festas religiosas memoráveis - nas tardes de domingo era invadida e dominada por motociclistas, motoristas e desordeiros de toda ordem, que ali se instalavam com seus veículos – invadindo suas alamedas e áreas vizinhas - com propósito de promoverem os famosos "rachas" e manobras perigosas de toda ordem, desafiando o poder público e impedindo que os moradores e demais munícipes fizessem uso daquele espaço público.

Coube ao investigador, então responsável pelos serviços da Ciretran, comparecer discretamente no local – sem alarde, viatura ou sensacionalismo – para anotar as placas dos veículos e, se possível, a identidade dos condutores envolvidos naqueles atos contrários à ordem pública e paz social.

Uma vez identificados, os proprietários dos veículos e condutores reconhecidos, foram todos intimados a comparecerem na delegacia de polícia com suas motos, caminhonetas e automóveis, sendo os veículos vistoriados, documentos verificados e impostas as sanções correspondentes às infrações praticadas – incluindo aí, a instauração de processos sumários, ainda vigia a lei 4.611/65, apreensões de veículos e de CNHs, estas acompanhadas da suspensão do direito de dirigir do seu portador, por tempo determinado.

Com essa intervenção, o poder público se fazendo presente permitiu que tardes de domingo na Praça Santo Antônio voltassem à normalidade. A tranqüilidade de crianças brincando, casais namorando e as pessoas podendo usufruindo daquele espaço, mesmo porque se tratava de um bem público, de uso comum.

Quanto a remoção do depósito de ferro-velho, numa ação conjunta de diversos órgão exigiu esforço redobrado – aí incluindo saúde pública, prefeitura municipal, polícia civil e até mesmo ilustres advogados da comarca – por se tratar de atividade econômica autorizada e regulamentada por lei.

Lembro que na época a epidemia de "dengue" ainda não grassava de forma alarmante, como nos dias de hoje, tampouco a população estava informada e consciente do perigo da presença de larvas do mosquito Aedes Egypid e dos cuidados necessários a evitar sua proliferação. Por outro lado, naquele período, as prefeituras ainda não estavam engajadas nas atribuições de vigilância sanitária – cabendo tão somente ao pessoal do Estado realizar as campanhas de prevenção e fiscalização – como ocorre atualmente.

Mas foi a postura dos moradores do Bairro São José, área próxima do Supermercado Zannete, exigindo que os agentes da vigilância sanitária fiscalizasse o depósito de ferro-velho antes de ingressarem nas suas residências para vistoriar possíveis focos de larvas. Diziam que o estabelecimento funcionava a céu aberto e os materiais recicláveis ali depositados, sem qualquer cuidado, acabava se transformado em verdadeiro criadouro de insetos, incluindo o Aedes Egypet.

O zeloso médico-chefe da Unidade Sanitária, não encontrando respaldo junto à Prefeitura Municipal - tudo se reduzia a questão política - procurou então a delegacia de polícia em busca de alguma orientação, pois a princípio não vislumbrava possibilidade de uma ação policial. Foi lhe então sugerido o encaminhamento de um comunicado oficial e com esse documento em mãos, a primeira providência foi notificar o responsável pelo estabelecimento sobre os graves problemas de saúde pública decorrentes do funcionamento do seu depósito de "ferro-velho" em condições inadequadas.

Curiosamente, mesmo se tratando de uma pessoa simples e um pouco rude, manifestou de imediato disposição de transferir seu estabelecimento, desde que lhe fosse cedida, ainda que temporariamente, uma área cercada e com espaço suficiente para acomodar dezenas de toneladas de material reciclável que dizia pretender vender.

Com a intermediação do seu procurador jurídico, a prefeitura municipal foi convencida a despir-se de qualquer interesse político e engajar na resolução do problema, oferecendo um espaço vizinho ao depósito de lixo ( lixão municipal ), nas condições sugeridas pelo comerciante. Com isso, foi possível notificá-lo a desocupar o terreno, utilizado para atividade perigosa sem os cuidados necessários, dentro de um prazo razoável.

Durante o período, ainda houve outras ponderações – inclusive com intervenção dos advogados contratados pelo causador do transtorno - mas logo superadas e no dia aprazado a pá carregadeira e caminhões da prefeitura tomaram posição – a atuação do "Chapéu de Couro", operador da máquina foi fundamental – e mesmo com alguma resistência do negociante, o material ali depositado em condições inadequadas foi removido. Antes do horário do almoço, do prédio da delegacia era possível ouvir o espoucar de fogos de artifício – e os moradores do bairro comemoravam a resolução do problema que os atormentavam de longa data e causava séria preocupação no âmbito da saúde pública.

Por último, deixo o registro, na forma de homenagem ( in memorian ) à operadora de telecomunicações Valéria, cuja dedicação e lhaneza no trato com o público, particularmente com as pessoas mais humildes, permitiram que delegacia de polícia de Palmital desenvolvesse um serviço percursor ao "Poupa Tempo" - ainda nos tempos da máquina de escrever.

Os munícipes, quando assim quisessem, poderiam dirigir-se diretamente à repartição policial para obter sua carteira de identidade, atestado de toda ordem e até porte e/ou registro de arma. Suprimida a intermediação de terceiros, evidente que os custos ficavam adstritos às taxas, quando cabíveis, facilitando sobremaneira a vida dos moradores da cidade e região.

Concluindo, como acontece atualmente na cidade do Rio de Janeiro, a ação policial efetiva, coletiva ou isolada, exercida com honestidade, desprovida de personalismo, voltada para o bem comum e balizada pelo ordenamento jurídico vigente no país, pode realmente fazer a diferença, desde que detenha o atributo da continuidade – elemento indispensável para sua consolidação – como direito do cidadão e dever do Estado.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Falsidade, fruto da ideologia

Talvez o presidente petista quisesse afirmar "falsa ideologia",  quando se  aventurou a definir a figura criminosa que incorrera, os autores da quebra do sigilo fiscal de Verônica Allende Serra. Sua dificuldade com o vernáculo é por demais conhecida!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Mílicias - como crime organizado espraia-se pelo interior

Nas grandes cidades e regiões metropolitanas as milícias, envolvendo policiais e seguranças, acabaram se organizando como uma força para-policial. Transparece que tudo começou com a tolerância dos policiais realizarem "bicos" - como se o alegado baixo salário justificasse o sacrifício das horas de folga para obterem um "plus" em seus rendimentos. Não é possível imaginar o bancário ou o comerciário trabalhando em suas horas de folga no concorrente - ainda que seus ganhos sejam inferiores ao dos agentes públicos. Daí passaram a se agrupar em empresas intituladas de "portaria e limpeza" - lembrando que as empresas de segurança são controladas (ou pelo menos deveriam ser pela Polícia Federal) - geralmente em nome da esposa ou de terceiro, com intuito de vender "segurança". Os meios para obter a clientela variam em cada situação ou realizada - na área do comércio, passa a ser comum os "assaltos" naqueles estabelecimentos que não aderirem. Nos bairros residenciais, muitas vezes não hesitam em se apresentarem uniformizados (até mesmo com viatura oficial) para oferecer o "serviço" mediante pagamento mensal. Certa feita, na cidade de Piracicaba - já estando aposentado - ouvi o dono de uma conceituada padaria comentar, em tom de desabafo e descrédito, que seu estabelecimento fora alvo de dois ou três "assaltos" em dias mais ou menos sequentes. Em meio ao desconforto e insegurança, o comerciante ouviu da guarnição policial que atendia a última ocorrência, a seguinte recomendação:-"É melhor o senhor contratar a gente nossa para guarnecer o seu estabelecimento, com a promessa de uma viatura permanecer nas imediações nos horários mais críticos".

Agora,ao ver as imagens do adolescente, primeiro sendo conduzido algemado por dois homens, na área comercial de Itapecerica da Serra e, depois de executado, seu corpo abandonado nos arrebaldes daquela cidade, não há como deixar de relacionar o fato com essas "empresas de segurança". Ainda mais recentemente, a pacata Ibirarema (onde atuei), um grupo de marginais invadiu o prédio da Delegacia de Polícia, dominou o (s) policial (is) e tomou a viatura para 'assaltar" um banco da cidade - lamentável saber que dois policiais militares faziam parte da quadrilha! Outros exemplos poderiam ser elencados indefinidamente - envolvendo policiais das mais variadas origens - como podemos observar o momento é crítico e nossas autoridades haverão de não desprezar o viés organizado dessa atividade ilegal, com passagens cruéis e criminosas.

domingo, 18 de julho de 2010

Estou com o Ubaldo e não abro!

Como sempre, clara, objetiva e com propriedade a preocupação do colunista João Ubaldo com o desprezo (e, desconhecimento) do vernáculo. Agora, ler e ouvir - com uma frequência intrigante - a expressão "na verdade" e o "mesmo ou a mesma" (na função de pronomes), em nosso cotidiano, chega a causar náusea.

sábado, 12 de junho de 2010

Falta de liderança ou covardia mesmo!

A mídia, particularmente a esportiva, que faz a cobertura da Copa da África do Sul, parece estar mendigando informações sobre a seleção brasileira. E, quando das raras entrevistas com integrantes da comissão técnica ou jogadores, submete-se a humilhações e ofensas inaceitáveis -
por gratuitas e generalizadas - além de ouvirem silentes platitudes de toda ordem. O comportamento dos profissionais que a compõe, alguns experientes e reconhecidamente competentes, revela resignação - que beira a covardia - parceira da subserviência. Suponho que a situação perdura por ausência de profissionalismo, liderança autêntica ou mesmo de coragem desses repórteres, que se apresentam como jornalistas isentos e com liberdade de opinião - talvez esperem que surja algum gaúcho, como João Saldanha, e tome alguma iniciativa que lhes devolva a altivez!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A polícia, há que ser vigiada

A prisão dos policiais militares apontados como responsáveis pelas mortes em São Paulo, acompanhada do afastamento de dois comandantes, apenas arrefecem a indignação popular pelos dois crimes. Também a platitude das palavras do Governador do Estado afirmando que se tratam de crimes dolosos - quando há a intenção de matar - não significam que outras medidas, no sentido de desestimular ações dessa natureza, não podem ser adotadas. Diante da gratuidade da violência praticada e a total ausência de justificativa para atos praticados por agentes, selecionados, treinados e regiamente pagos para nos prestar segurança, a cidadania não nos permite ficar indiferente a fatos dessa natureza e a nossa vivência profissional nos obriga a manifestar-se a respeito. Assim, ao Secretário da Segurança Pública, que tem demonstrado disposição de valorizar as corregedorias e firmeza no expurgo de policiais criminosos e indesejáveis, fica a sugestão de adotar o exame toxicológico periódicos para os seus agentes - mais ou menos como ocorre com os atletas na busca de dopagem - que se tornaria compulsório (respeitada as garantias individuais, mas ficando o registro de eventuais negativas) quando se envolvessem em crime, mesmo no caso de ação justificada! Vale como registro, décadas atrás equipes da Corregedoria percorriam a cidade na busca de policiais em situação ou comportamento não condizente com seu cargo ou função - inclusive nos períodos de folga!

Teria sido mera coincidência

Os bons ventos da democracia (redemocratização do país) a partir dos primeiros anos da década de 80, também prenunciavam a restauração das boas práticas administrativas. Com isso, os concursos públicos passaram a despertar maior credibilidade e nos candidatos a expectativa (quase certeza) de concorrerem em igualdade de condições. Por outro lado, algum rigor na avaliação da capacidade intelectual e de conhecimento técnico passou a ser adotado. Por exemplo, no caso dos concursos para delegado de polícia, a média 6,0 na prova preambular, passou a ser condição para prosseguimento nas demais etapas do certame. Coincidentemente essa exigência foi alterada concursos depois - consta que essa média, teria sido rebaixada para 5,0, unicamente para atender o filho de um expoente da organização policial que não conseguia alcançar, por mais que se dedicasse aos estudos, a média então exigida. Como já era de se esperar, a manipulação em nada contribuiu para melhorar a qualidade do quadro policial - hoje constatamos que razão tinha o sertanejo: "o pau que nasce torto, morre torto"!

domingo, 9 de maio de 2010

Enfim, uma copa apenas com imagem!

A cada imagem dos torcedores sulafricanos nos estádios, fica cada vez mais claro  que assistir aos Jogos da Copa do Mundo se restringirá às imagens da televisão. Suponho que as transmissões radiofônicas serão um tormento para o ouvido - salvo se conseguirem filtrar o som das indesejáveis cornetas. Pelo menos à distância, em sã consciência não há como apreciar, nem mesmo levando em conta o caráter folclórico de um povo, o som produzido pelas vuvuzelas, sopradas às milhares pela torcida sulafricana - a sua estridência e ausência de sonoridade, harmônia ou ritmo o torna desagradável, ao ponto do insuportável. Com isso, as televisões não terão do que se preocupar com a qualidade do som, pois a maioria dos aparelhos  - garantida a liberdade dos incautos e imprevidentes - se restringirão a sintonizar a imagem dos jogos. Nesse caso, os telespectadores previdentes além de não serem importunados pelo insuportável som das vuvuzelas, ainda ficaram livres dos comentários óbvios, quando não impróprios e arrevesados, por distantes da realidade do jogo, pelos igualmente dispensáveis comentaristas esportivos - ditos cronistas esportivos, por obra e graça de Mário Filho, Nelson Rodrigues e Armando Nogueira. Para piorar, regra geral esses comentários são antecedidos por prolongados gritos histéricos do locutor esportivo numa descrição exagerada de uma jogada perdida ou registro de um gol (ainda que contra) - merece registro a serena e precisa locução de Luiz Noriega, que deixou o seu legado na TV Cultura. Não custa lembrar que a emoção decorre da sintonia e compreensão dos torcedores.  Assim, talvez consigamos conversar com mais tranquilidade, trocando considerações sobre o jogo em andamento, discutindo as táticas empregadas pelos técnicos, atuação individual dos craques e desempenho coletivo das equipes - sugerindo alterações e substituições permitidas. Mesmo porque as imagens transmitidas pela TV, ainda que parciais do campo de jogo,
são suficientes para nos permitir "palpitar" sobre as possibilidades das equipe em campo

sábado, 1 de maio de 2010

Ferreira Pinto, guarda coerência

Nosso primeiro contato aconteceu em meados dos anos 70, na cidade de Assis, onde fui procurado pelo então capitão, sediado em Ourinhos, que buscava informações sobre a conduta inidônea de um subordinado. Mais adiante, final da década de 80, na Comarca de Palmital, desta vez acompanhando o corregedor-geral do Ministério Público, na condição de assessor, o promotor de justiça Ferreira Pinto buscava subsídios sobre o comportamento do seu colega - recém nomeado no cargo - que atuava naquela promotoria de justiça. À distância também acompanhei sua participação na organização da Secretaria da Administração Penitenciária, sob a orientação de um juiz aposentado - por merecimento, mais tarde, o substituiu. Guardo algumas restrições à sua atuação, particularmente quando fechou cadeias nas cidades de maior relevância (política) mas permitindo que cidades menores passassem a suportar o fardo de receber presos (de todas as espécies) em prédios e condições inadequadas, comprometendo sobremaneira a segurança de seus funcionários e da população em geral. Por último, seguindo a tradição, como procurador da justiça, foi chamado pelo governador Serra para assumir a Secretaria da Segurança Pública. Tenho observado que sua disposição, empenho e coragem continuam os mesmos, mas infelizmente como os demais secretários que o antecederam - embora conheça as entranhas da Milícia do Tobias de Aguiar - não tem conseguido transformá-la em corporação voltada a atender o interesse público e assegurar a segurança do cidadão, despertando-lhe a confiança - ao invés de lhe causar temor e fundado medo! Felizmente, o mesmo não tem acontecido em relação à Polícia Civil, particularmente no que diz à sua Corregedoria que tem sido prestigiada, valorizada e suas intervenções endossadas pelo titular da pasta - difícil imaginar a demissão do ex-presidente do clube dos oficiais da Polícia Militar! - e pode ter certeza suas visitas aos distritos policiais serão produtivas sob todos os aspectos, inclusive para detectar a carência de recursos e possíveis dificuldades (limitações) dos profissionais que ali atuam. Ainda assim, o saldo é positivo, continuo reconhecendo suas qualidades e admiro sua coerência - embora a realidade não a tenha!

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