quarta-feira, 13 de maio de 2009

As viagens do Papa Bento XVI

Ao contrário do seu antecessor, João Paulo II, o Papa Bento XVI não demonstra carisma, tampouco dá o sentido evangelizador para suas viagens. Atualmente, visitando a Terra Santa, a preocupação do cardeal Joseph Ratzinger aponta preferencialmente para a diplomacia - ao tentar justificar algumas posições anti-semitas assumidas pela Santa Fé em momentos pretéritos - busca, em último recurso, restabelecer alguma relação de confiança com os judeus e os devotos do islamismo. Certamente, a racionalidade do seu pensamento e caráter pragmático do seu papado, leve o Sumo Pontífice a não demonstrar preocupação com a diminuta mobilização popular que sua passagem pelo Oriente Médio tem provocado.

Oncinha, herança degradante para Ourinhos

Ainda que à distância, venho acompanhando a evolução da Caninha Oncinha - a conheci como Ivoran e, quando criança, brinquei no seu interior. A expansão de suas instalações pelas áreas adjacentes sempre me causou alguma preocupação - talvez uma certa indignação, por acreditar que o mais racional seria buscar um espaço mais seguro distante do centro urbano. Por décadas, a cada visita à Ourinhos - particularmente, à avenida Jacinto Sá, onde vivi - deparava com a degradação das cercanias daquela indústria. As casas residenciais e os imóveis comerciais, incluindo o belo Jardim da Da. Rosa e o Bar do Fagá, foram desparecendo e davam lugar a um desprezível paredão. As ruas da região se tornaram ociosas, por ausência de moradores e usuários, passando a ser utilizadas como estacionamento exclusivo para os caminhões utilizados no transporte de sua produção, enquanto seus motoristas davam outra destinação ao espaço público. Suponho que o grupo empresarial manteve, por mais de cinco décadas, considerável área na zona rural, bem próxima da Rodovia Raposo Tavares, onde poderia instalar sua unidade industrial, sem prejuízo, temor ou desassossego para os moradores do centro da cidade - infelizmente, preferiram utilizá-la parcialmente com alguns toneis para armazenamento de matéria prima. Por essas razões, a notícia do aventado fechamento daquela empresa não me surpreende - espero que não ocorra, para o bem de seus empregados e fornecedores - apenas reforça a indignação pela falta de visão de seus percursores, cuja herança se reduzirá a nova área degradada na cidade.

domingo, 3 de maio de 2009

Congresso pós PT, apenas uma amostra

Com o início da atual legislatura, assistimos intrigados a sequência de escândalos que permeia o Congresso Nacional. Fica cada vez mais evidente, a malversação do dinheiro público, tanto no Senado, como na Câmara dos Deputados, mas é a ausência dos mínimos cuidados com a gestão, no âmbito das duas casas, que nos revela a incúria na maneira de administrar, fadada ao descalabro moral. Não pode ser coincidência, tampouco um acaso, que a Câmara dos Deputados viveu na legislatura passada sob a égide de uma "administração petista" - misto de médico e sindicalista, com inusitada capacidade de tergiversar e negligenciar sobre assuntos importantes - enquanto isso, o Senado vivia momentos tormentosos sob uma administração nefasta sob todos os aspectos, com a complacência da maioria de seus pares (leia-se base política do "governo petista") - coroada também com um ilustre petista em sua presidência. Agora, assistimos impassíveis, ainda que indignados, a revelação de uma sucessão de desmandos, que parecem infindáveis, envolvendo a administração e integrantes das duas casas legislativas. Desse imbróglio, o mais preocupante é suspeitar que esse modelo de administração pública, voltada para o clientelismo, onde permeia o favorecimento pessoal, desprezando o mérito e a qualificação individual, desapegada de valores éticos e privilegiando os interesses políticos/ideológicos, acabou impregnando os demais Poderes da República. As recentes manifestações do "presidente petista", sugerindo que o uso de passagens áreas utilizadas, até então sem qualquer controle, pelos parlamentares "não seria um mal a ser reparado" - além de revelar oportunismo deslavado, ainda quer nos fazer crer que comportamento dessa espécie tornou-se regra na administração pública brasileira. Aliás, sob essa visão, o Presidente da República se revela coerente, por já havia consagrado - quando do episódio do "mensalão" - a utilização do CAIXA 2 eleitorais. O tesoureiro do seu partido preferiu o eufemismo "dinheiro não contabilizado" - a sua fonte não vinha ao caso. Aos mais atentos, essa maneira "petista" de governar já era conhecida desde os tempos da Cpem, denunciada pelo então ex-petista Venceslau Tarso, com promessa de inchar as arrecadações municipais - esquema parecido com a participação nos royalties do Petróleo, envolvendo desta vez a empresa do Vitor Martins, alto funcionária da ANP - atualmente assistimos a manipulação despudorada dos fundos de pensões, FAT, FGTS e dos bancos oficiais, com propósitos político/eleitorais. Diante desse quadro, não fica difícil imaginar que ao "futuro governo" caberá administrar uma espécie de "terra arrasada", uma situação infinitamente pior que a do atual Congresso Nacional. Basta supor as dificuldades impostas pelo "inchaço" da folha de pagamento e despesas com custeio; aparelhamento dos fundos de pensões, bancos oficiais e empresas estatais - haja Tribunal de Conta, Controladoria, Procuradoria da República, desde que isentos e descomprometidos com a atual gestão. Cá entre nós, ainda que remanesçam algumas reservas, os tempos futuros inevitavelmente serão difíceis!

sábado, 25 de abril de 2009

Está formada a chapa - Protógenes e Joaquim

Diante da popularidade, agora revelada pelo ministro Joaquim, do STF, e o delegado Protógenes, da PF, nada mais natural que ambos concorram nas próximas eleições. Sugiro que constituam uma chapa, para estabelecer a ordem dessa composição, seria o caso de levar em conta a capacidade que cada um revela quando busca atingir seus alvos com expressões inaquedas.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Com status de sede regional, Piracicaba está apta a sediar novo presídio

Manifestações contrárias à construção de presídio são comuns e vêm acontecendo praticamente em todos os cantos do Estado de Estado São Paulo. Antes, já havíamos assistido esse mesmo tipo de resistência, quando da instalação da unidade da antiga-Febem, hoje Fundação Casa - ao que parece totalmente superada pela excelência do serviço atualmente prestado à criança e ao adolescente da cidade e região. Por outro lado, suponho que os líderes desse movimento devem admitir, por certo já comemoraram, comemorar, que o município de Piracicaba - graças à atuação de suas forças políticas e de gestores comprometidos com seus interesses - passou a ocupar nos últimos anos lugar de destaque como sede regional de importantes órgãos vinculados à Segurança Pública. Com isso, além de expressão político-administrativa, angariou dividendos, quando passou a sediar Batalhão da Polícia Militar, equipado inclusive com escola para formação de novos policiais; Deinter, com atribuição de programar e supervisionar as atividades de Polícia Judiciária em vasta área territorial, rivalizando-se nesse aspecto com a cidade de Campinas. Com esse novo status, não se pode negar, que a Noiva da Colina ganhou respeitável aparato na área da Segurança Pública, não só pela edificação de prédios modernos, como também pela obtenção de reforço no pessoal e meios - a Polícia Científica, vide IML, é um belo exemplo. Portanto, nada mais natural que esse dispositivo policial também produza situações como essa agora vivenciada. Então, perfeitamente compreensível que o município de Piracicaba, agora contando com um gama de recursos na área da Segurança Pública; aliado à existência de boa estrutura do Poder Judiciário; uma rede hospital satisfatória e ainda dispondo de contar com área disponível distante da zona urbana, seja chamado a sedia um novo presídio. Suportar ou não esse ônus parece se tratar de uma questão de justiça, levando em conta que a cidade é pujante, dispondo de um parque industrial em expansão; seu comércio se revela dinâmico e poder usufruir dessa nova demanda e sua vocação para o ensino não será prejudicada. Por último, suponho que não pediríamos, tampouco nossos governantes cometeriam desatino dessa ordem, tamanho sacrifício - receber um presídio - para os municípios menores e sem a necessária infraestrutura, sob pena de subjugá-los a atividades consideradas subalternas - esgotando os seus escassos recursos e muitas vezes inviabilizando o seu desenvolvimento socioeconômico.

sábado, 18 de abril de 2009

Antes foi o Tardelli, agora o Cristian

Coincidência ou não, pela segunda vez, às vésperas de uma decisão envolvendo o São Paulo FC surge outra polêmica. Lembram-se da decisão do Campeonato Brasileiro do ano passado - o jogo contra o Goiás era decisivo e as dificuldades do São Paulo eram evidentes. Foi então, por vias transversas, que o árbitro Tardelli foi envolvido numa trama ardilosa que o afastou da direção daquele jogo. Por razões óbvias, o episódio favoreceu o São Paulo - Tardelli, reconhecidamente é um juiz caseiro e o seu substituto cumpriu a missão sob intensa pressão, além da pouca experiência - que acabou campeão. Agora, surge a acusação contra Cristian - gestos e palavras daquele jaez são comuns em campo de futebol, basta registrar as expressões empregadas pelos técnicos ou fazer a leitura labial dos jogadores durante as partidas. Curioso que na mesma ocasião, um repórter de rádio foi submetido a constrangimento ilegal pela Polícia Militar e o Distrito Policial, ao que parece, não adotou nenhuma medida legal para apurar eventual infração penal. Então, ameaçar de indiciamento em inquérito - delegado, impropriamente, já fala em condenação - ou colocá-lo como "bode expiatório", apenas favorece ao São Paulo FC. Pelo visto, a torcida são pauliana pode ser pequena, mas conta com importantes representantes nos mais diferentes órgãos, sempre dispostos a ajudar o seu time!

60% das ocorrências não são notificadas

O novo comandante da Polícia Militar admitiu que 60% da ocorrências de roubos - presume-se que alcance toda gama de crimes contra o patrimônio e nos crimes contra a pessoa seria ainda maior. Embora não admita, o quadro descrito pelo policial sugere que as estatísticas publicadas da SSP não refletem a realidade em área sensível da administração pública. Por outro lado, cabe lamentar que, tanto o novo dirigente da corporação, como demais autoridades ali presentes, não aventaram nenhuma medida para reverter a situação. Evidente que a qualidade do serviço prestado é o principal óbice para a ausência desses registros - então, fica a sugestão, priorizar o atendimento da população. Medida simples, além de não onerar os cofres públicas, ainda aproximará os órgãos policiais da população. Vale para a Polícia Militar, mas principalmente para a Policia Civil - basta abrir as portas de suas unidades e dispor de pessoal suficiente para atender a demanda reprimida!

domingo, 5 de abril de 2009

Raoni tirou proveito, enquanto Lula...

A colunista Dora Kramer tem razão, Barack Obama usou o charme do presidente Luiz Inácio para se apresentar - assim como o "escada" no humorismo. Antes de Dora, meu irmão Aureliano, já havia sugerido que o cantor Sting tentou empregar o mesmo método utilizando-se da imagem do cacique Raoni - apenas não contava com a sagacidade do lider Caiapó para inverter os papéis. Ambos têm em comum a figura exótica, um tanto incomum nos países civilizados, que ostentam. Ao corar com a provocação, o presidente petista revelou ingenuidade constrangedora!

domingo, 29 de março de 2009

A morte do "doutor Gastão", há que se lamentar!

Em meio à alegria de receber a visita do casal Jarbas de Souza Júnior e Jane Arantes de Souza, nossos diletos e queridos compadres - em mão dupla - moradores da cidade de Assis, veio a triste notícia da morte do estimado doutor Luiz Gastão Xavier, delegado de polícia-aposentado, deixando sua dedicada esposa Mirian e filho Luiz Paulo. Lembro que aportamos praticamente juntos na Seccional de Polícia de Assis, no início da década de 70 - ele chegou um poucos antes. Típico paulistano quatrocentão, sãopaulino de quatro costado, filho de dono de Posto de Gasolina na rua da Consolação, foi revisor no "Estadão" e trabalhou no Fórum João Mendes, onde angariou a amizade e estima de grandes juristas da estirpe do doutor Sebastião Amorim, presidente da APAMAGIS e do desembargador Celso Luiz Limongi, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, não encontrou qualquer dificuldade para se inserir na comunidade assisense. Gostava de contar que realizou o curso de direito viajando semanalmente para a cidade de Pouso Alegre, no Estado de Minas Gerais, como forma de nos incentivar a estudar. Logo depois alcançava o cargo de delegado de polícia, que exerceu por décadas com retidão, sem qualquer deslizes e com o respeito de seus pares e da comunidade. Suponho que a cidade de Assis foi sua primeira e única sede de exercício - embora tenha trabalhado praticamente em todas as cidades da região, talvez tenha guardado especial carinho pela acolhedora Ibirarema, onde fez história na companhia do seu fiel escudeiro Pedro Camacho, eterno escrivão de polícia daquele município. Evidente que, além dos plantões e rotina de trabalho na delegacia, foi o futebol que nos aproximou - já contei aqui do primeiro campeonato de futebol de salão no GEMA - ele era o nosso artilheiro, mas pegou no gol quando me machuquei. Nas tardes de sábado, podia contar com sua carona, para o futebol na Chácara do pessoal do Posto Fiscal, depois o "Décio Formigão" comprou, mas o espaço continuou comunitário. Mais adiante foi dele o incentivo para prestar vestibular e depois de completado o curso de direito vibrou como poucos pela minha ascensão profissional. Tornou-se então freqüentador assíduo do futebol no campo da Delegacia de Polícia de Palmital, onde dispunha de lugar cativo - em geral, Luiz Paulo ficava brincando com meus filhos, guardamos fotos dessa convivência. Sempre responsável e criterioso na atividade policial, mas no futebol, como na vida, levava o dia-a-dia sem atropelo e com alegria - com ele não havia tristeza. Embora saiba da prolongada enfermidade que o acometeu, aqui em casa, todos lamentamos a morte do inesquecível e estimado amigo "Dr. Gastão" - cada um lembrando a seu modo das deliciosas passagens que sua convivência nos proporcionava. Suponho que seus pais foram sepultados em jazigo da família no Cemitério do Araçá, em São Paulo ( acompanhei o sepultamento do seu pai ) mas Luiz Gastão - tratamento que tomo emprestado de sua esposa - preferiu continuar morando em Assis, onde
viveu por mais de três décadas, deixando seu legado de servidor público honrado, cidadão prestante e um exemplo de vida digna, ao povo da cidade que adotou como sua terra. Agora, nos resta relembrar com saudade da figura inesquecível e transmitir para a zelosa e dedicada Miriam, com todo respeito e admiração, e a seu filho Luiz Paulo, os nossos sinceros sentimentos, na forma dessas lembranças!

domingo, 22 de março de 2009

Defesa técnica foi abandonada

Outros já o fizeram e não foram punidos ! Esse passou a ser o mantra utilizado, particularmente pelos políticos e administradores, quando de forma canhestra, tentam justificar seus desmandos e atos de improbidade e deslavada malversação do dinheiro público. É bom lembrar que essa estratégia não foi criada pelo atual governo - basta lembrar do "ladrão de porco", surpreendido levando o produto do crime às costas, repeliu a acusação alegando; "quem colocou esse animal na minhas costas" - mas, certamente, foi no episódio do "mensalão petista" que essa estratégia foi consagrada. Inicialmente coube ao presidente petista, quando indagado sobre o episódio, afirmar "não saber de nada" - lembram-se da mal justificada entrevista concedida num gramado "parisiense" - sugerem que foi iniciativa do seu antigo Ministro da Justiça e conhecido criminalista. Logo depois encontrando precedente da prática da mesma modalidade delituosa nas hostes do PSDB mineiro - até então não denunciado, tampouco investigado - a patética, por esdruxula e desprovida de qualquer fundamentação jurídica e ausência de exercício intelectual, acabou adotada como estratégia de defesa de qualquer "aloprado". Evidente que o argumento do "ladrão de porco" não foi suficiente para livrá-lo da prisão, por indispensável a defesa técnica com fundamentação fática e de direito. Lamentavelmente a estratégia petista de que outros já o fizeram e por isso não há que se recriminar o malfeito - "mensaleiros", "aloprados", "invasores de terra", etc - de fácil assimilação popular, continuará servindo aos propósitos de um governo perdulário e disposto a perpetuar-se no poder, ainda que ofenda as regras básicas de gestão, respeito com o erário e, principalmente, com a nossa inteligência!

Todos os direitos reservados.