sábado, 27 de janeiro de 2007

Delfim procura emprego?

O economista Delfim Neto, respeitado no mundo acadêmico, que já reinou nesse país - como czar da economia - transmudou-se pelo legislativo por mandatos consecutivos, sempre se pautando pelo comedimento de suas manifestações públicas. Com fama de parcimonioso, até mesmo na economia pessoal, suas declarações sempre foram sucintas - mas nunca desprovidas de conteúdo e objetividade, geralmente ferinas como uma verruma. Agora, desapeado de mandato e erigido à condição de auscultador do presidente da república, torna-se um cidadão loquaz e disponível. Neste final de semana, sua figura ressurge nas páginas de revista semanal e jornal de grande circulação nacional, tecendo comentários - sempre pertinentes e abalizados por seus conhecimentos na área da economia. Mas pouca coisa surpreende em suas análises, salvo suas costumeiras estocadas em determinados pontos da política econômica - mas, estranhamente não oferece sugestões claras e objetivas. Comporta-se como se estivesse a sinalizar - se quiserem ou precisarem de um cardápio diferente é só me procurar. Apresenta-se - ou melhor - oferece-se como candidato a um emprego. É um perigo - no governo do general Figueiredo, depois de um período de ostracismo, tomou acento no Ministério da Agricultura - diziam ter dificuldade para diferenciar a abóbora de uma melancia. Mesmo assim, daquele posto foi minando as iniciativas do Ministro da Fazenda (nada menos que Mário Henrique Simonsen) e tanto fez que acabou substituindo-o. Aliás, com toda sua elegância e cultura o ex-ministro Simonsen passou a se referir ao seu sucessor com termos nada elogios - e pelo andar da carruagem outros desafetos Delfim Neto haverá de angariar.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Aguardarmos a primeira "cana"

Depois de duas semanas de intensa atividade na cidade do Rio de Janeiro e adjacências, a população carioca ainda aguarda a primeira "cana" da Força Nacional de Segurança. É verdade que sua atuação realiza-se, prioritariamente, na esfera da prevenção, mas haveremos de esperar que a perspicácia de seus milicianos - bem treinados e regiamente remunerados - produzirá alguma prisão expressiva ou não Sabe-se que a postura dos guardiões nacionais diante do homem comum tem sido enérgica e eficiente, sempre no sentido de constrangê-lo com revistas pessoais ríspidas e inadequadas. Vamos aguardar, enquanto o aparato policial vai se familiarizando com a realidade carioca / fluminense - mas não poderá demorar muito, senão ...!
(Publicado no Jornal de Piracicaba em 27/01/2007)

"Não livro" - é o resumo da biografia de José Dirceu

O título se refere ao livro que o jornalista e biógrafo Fernando Moraes afirma ter escrito sobre José Dirceu, mas que acabou sendo furtado nesta cidade. Parte-se da premissa que o livro foi escrito e que de fato o crime aconteceu - e, ainda acreditando não existir cópia ou registro do texto subtraído. A inusitada situação nos permite, exclusivamente como exercício mental, supor e recuperar alguns trechos da abstração que seu tornou o "não livro". A cidade de Santa Rita do Passa Quatro - MG, certamente serviria apenas de registro do seu nascimento. A organização do XXX Congresso da Une em Ibiúna deve ter sido destacada como a sua primeira incursão relevante. Não importa se foi mal planejada e ingenuamente executada, acabando por levar cerca de 1.000 estudantes à prisão - a imensa maioria de inocentes úteis, servindo apenas como massa de manobra. Logo era bafejado pela sorte, diante da imposição do exílio - o banimento permitiu produtiva permanência em Cuba, onde pode aperfeiçoar sua formação política. Ainda assim, preferiu alterar sua fisionomia e adotar a identidade de Carlos Henrique Gouveia de Mello para retornar incógnito ao Brasil, instalando-se na cidade de Cruzeiro D'Oeste, Estado do Paraná. Tornou-se um pacato comerciante, cidadão casado e com filho - como tantos outros pelo interior brasileiro. Curiosidade haveria de despertar os motivos que o levaram a omitir sua identidade até mesmo diante da mulher com quem se casou - mais ou menos, como ocorreu com os estudantes em Ibiúna, foi levada digamos:- pela confiança. Com a anistia, outra vez surpreendido pela sorte - já que não existe registro de sua contribuição para alterar o statu quo - e demonstrando incomum senso prático, logo recuperou sua identidade e também sua fisionomia, por razões óbvias apenas a primeira original. O prestígio angariado como lider estudantil e banido, evidente que favoreceu sua inserção na vida política / institucional brasileira. Acabou eleito deputado estadual, depois federal e por último ministro de estado - fazendo jus à indicação de capitão do time. Em poucos meses fez e desfez - coisas e situações - que até Deus haverá de duvidar! Dificilmente, um livro de natureza biográfica - como especialidade do seu autor - comportaria descrever situações insólitas e de tal forma repugnantes sem comprometer o currículo de um ou do outro, quiçá de ambos. Por isso, a ausência do livro nos permite praticar - certamente, sem a capacidade e qualidade do biógrafo e do biografado - algum tipo de ficção, apenas como sugestão para a ausência de conteúdo de um "não livro". Outra incongruência foi consumada pelos EUA ao proibir o ingresso naquele país do deputado Fernando Gabeira, a título de revanche por ter participado do seqüestro do embaixador americano - evento que permitiu a liberdade (no exílio) de José Dirceu - não constando existir a mesma restrição aos favorecidos pela ação criminosa. Fica patente o equívoco :- em grau de periculosidade, o potencial de Gabeira é voltado para o bem, enquanto José Dirceu ... !

Delegado não poderá indiciar controladores

O delegado da Polícia Federal, responsável pelo inquérito policial instaurado a respeito do acidente do Boeing da Gol, anuncia que poderá atribuir responsabilidade criminal aos controladores de vôo que operavam na ocasião. Afirma a autoridade policial que os controladores teriam agido com culpa - certamente, pela manifesta negligência, por deixarem de adotar procedimento recomendável para a situação. Apenas seria oportuno lembrar que o controle de vôos é atribuição do Ministério da Aeronáutica - portanto, a atividade dos controladores é de natureza militar. Com esse entendimento, os controladores estariam sujeitos ao Código Penal-Militar e, por conseguinte, julgamento pela Justiça Militar. Concluindo:- então não caberia indiciamento dos controladores no âmbito do inquérito policial da PF - apenas em inquérito policial-militar, já que serão julgados pela Justiça Militar. Açodamento ou apenas vontade e disposição de mostrar serviço ! Quanto aos prazos solicitados para conclusão da investigação policial, estes serão indefinidos, enquanto o Ministério da Aeronáutica não liberar cópia do laudo sobre o acidente e conclusão sobre as suas causas e apontando responsáveis.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Tolerância com o carioca - ou mera hipocrisia ?!

Os jornais e revistas deram ênfase no final de semana que a cidade do Rio de Janeiro transformou-se em área de deleite dos militares americanos, quando gozam período de licença para descanso de suas atividades na Guerra do Iraque. Curiosa, seria a forma como a região sudeste vem recebendo a notícia e repercussão da "enchente" de turistas / militares nas praias, casas noturnas e avenidas cariocas. Ao contrário do que ocorre na região nordeste, onde o turismo / sexual praticado por turistas europeus vem sendo rechaçado com veemência e indignação, a presença dos militares americanos - atraídos pela mesma forma, digamos de relaxamento - não tem encontrado a mesma resistência ou crítica. Até mesmo uma famosa Casa Noturna é lembrada e seu nome registrado com destaque, como ponto preferido dos turistas / militares - sempre destacando a qualidade das mulheres ali encontradas. Das duas uma - o nosso rigor crítico com que tratamos o problema no nordeste, não passa de mera falácia ou estamos a representar apenas a hipocrisia, já que toleramos o mesmo comportando quando praticado em meio da beleza e luxúria encontradas na paisagem carioca !

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Chinaglia dissimula para fugir do debate

A postura do deputado Chinaglia apenas dissimula com vista a evitar o debate com seus concorrentes Rebelo e Fruet. Sua proposta de realizar o debate individual com seus oponentes não se justifica - tenta criar uma situação hipotética de favoritismo da sua candidatura. Se algum candidato pudesse alegar desvantagem no debate a três, sem dúvida alguma, seria Fruet - por ser a única candidatura de caráter oposiocionista e com propostas claras de mudanças na condução da Câmara dos Deputados. As candidaturas de Rebelo e Chinaglia são oriundas da base do governo e servem ao desígnios da administração petista. Isso para dizer o mínimo ! Nessas condições de houver o debate entre os três - muito bem ! Não havendo acordo, qualquer um dos candidatos situcionista que se disponha a debater com Fruet estará o governo bem representado. São farinhas do mesmo saco - não há diferença entre eles. O comportamento Rebelo já deu mostra da disposição de continuar servindo de bom samaritano - atender os pleitos do baixo clero, relacionado com a equiparação salarial com os ministros do STF e favorecer ao governo nos encaminhamentos que lhe interessam e engavertar as medidas incovenientes. Chinaglia é fiel à suas origens petistas. Enfim, ambos - se eleitos - irão submter a Câmara dos Deputados aos interesses do Poder Executivo. Alguém duvida !

sábado, 20 de janeiro de 2007

Unimep - não seria o caso de propor "recuperação judicial"?

Não obstante a coragem, denodo e capacidade gerencial / administrativa do reitor David de Barros, a cada dia ou semana, as dificuldades enfrentadas pela Unimep vão se agravando. A par das agruras oriundas de uma série de administrações mal sucedidas - razões ainda haverão de ser trazidas a público - as reiteradas decisões da Justiça do Trabalho, nem sempre voltadas para o interesse público e da preservação da instituição, vêm produzindo dificuldades intransponíveis para os combalidos cofres da universidade e da sua mantenedora. Nesse contexto, não é pertinente a manifestação irônica de Rodrigues Filho, como dirigente da organização de classe dos professores. Seria o caso de lembrar-lhe da parábola "... ao vencedor, as batatas ..." Diante da gravidade da situação, a adoção da "recuperação judicial" - se cabível, para a situação atual ou em algum outro momento mais adiante - seria uma medida a ser estudada. Aliás, até agora bem sucedida na Varig - salvo, para os empregados despedidos. O difícil será encontrar outro juiz Ayoub que abrace a sua causa - como se defendesse um patrimônio da população piracicabacana.

Enfim, uma semelhança entre os governos Juscelino e Luiz Inácio

Conta a história que o presidente Juscelino Kubitscheck deflagou o projeto de construção da cidade de Brasília com a "cara e a coragem". Uma vez convencida a sociedade sobre a possibilidade de sua realização, o simpático e popular mineiro não teve dificuldades - certamente as teve, mas conseguiu superá-las - em convencer o Congresso Nacional a autorizar lançar mãos dos recursos disponíveis nos diversos sistemas previdenciários então existentes. Lembrem-se que na época a previdência social era organizada e administrada no âmbito das áreas de atividades profissionais - IAPC, vinculada aos comerciários; IAPI, aos industriários; IAPTC, condutores de carga e outros grupos de trabalhadores tinham também o seu instituto de aposentadoria. mesmo porque os custos das obras foram altíssimos e, confessadamente, sem controle efetivo. Comenta-se que o uso das reservas foi indiscriminado e sem critério. Afirmam os especialistas que depois disso, a previdência nacional nunca mais se manteve com suas próprias receitas e as reservas deixaram de existir, inviabilizando dessa a garantia da aposentadoria futura dos seus contribuintes. Mais adiante, o governo militar extinguiu a estabilidade do empregado e introduziu o fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS). Depois de quarenta anos, o novo sistema adquiriu status de fundo de reserva, onde o dinheiro depositado em nome do trabalhador - em algumas situações - caso de aposentadoria, dispensa sem justa causa, aquisição de casa própria e até mesmo para compra de ações de empresas estatais, pode ser levantado, ainda que parcialmente. Agora, outro governo - também com presidente popular - se aventura a invadir esse novo refúgio do dinheiro do trabalhador, como o anterior, sonhando em utilizá-lo para fazer o país crescer e se desenvolver. Já vimos esse filme antes e o happy end não foi feliz - ainda hoje amargamos o dissabor da malversação do dinheiro da previdência nacional e poderemos voltar a assistir os depósitos existentes FGTS se evaporarem. O assunto é delicado e o dinheiro do trabalhador é sagrado, por isso a deliberação sobre sua aplicação em investimentos públicos haverá de ser objeto de ampla discussão - não cabe medida provisória a respeito, diante da ausência dos requisitos da relevância e urgência para sua edição. Há que estarmos atentos - mais uma vez !

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Os ralos do INSS estão sendo acudidos

Merecem especial consideração as ações desenvolvidas pelo INSS nos últimos tempos, com vista a depurar os aposentados e pensionistas que recebem benefícios da previdência nacional. Os números dos benefícios cancelados são expressivos e a imprensa não tem dado o devido enfoque e repercussão desses fatos - simplesmente, se atém a anunciar os números. Os últimos cancelamentos anunciados pelo ministro da previdência social se aproximam de 150.000 benefícios. O feito é expressivo e seria retumbante se houvesse desdobramento. As fraudes em escala geométrica certamente vinham enriquecendo considerável número de envolvidos - inclusive funcionários do instituto. Então, não há mesmo porque se empolgar, pelo menos por hora, enquanto não for estabelecida e identificada toda rede de fraudadores. Os responsáveis pelos cofres públicos deverão buscar a restituição dos valores pagos, de forma indevida. Ainda mais quando assistimos a advogada Jorgina de Freitas, envolvida em desvio de 500 milhões de dólares do mesmo instituto, cumprir parte da pena e passar a gozar do regime aberto - mesmo não tendo devolvido todo dinheiro desviado. O caminho percorrido é louvável, mas ainda há muito a caminhar - a sua continuidade é que trará o resultado tão esperado !

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

A TEORIA DA SÍSTOLE E DIÁSTOLE - PRECONIZADA POR GOLBERY

O fenômeno, em geral, ocorre em períodos de turbulências políticas, onde a busca do poder se escancara e revela a fragilidade da organização institucional dos países sulamericanos, cuja história não revela afeto à tradição democrática - nem mesmo se encontra arraigada no sentimento de seu povo.

Alguns estudiosos, atribuem essa alternância de sentimentos à falta de sensibilidade das suas elites - intelectual e econômica - e da inércia de suas populações, fruto da pobreza como resultante da ignorância e humilhações seculares a que são submetidas.

Assistimos, desde a eleição do presidente Luiz Ignácio e ascensão de Hugo Chavez; passando pela consagração do cocaleiro Evo Moralez e do sandinista Ortega, para alcançar a posse do jovem-esquerdista Rafael Correa, na presidência do Equador, a evolução desse fenômeno político - aliás, nosso conhecido de longa data.

Certamente, foi na seara político/institucional que o general Golbery do Couto e Silva, tido e havido como ideólogo do regime militar, quem melhor definiu as alterações governamentais dessa natureza.

Como ave de rapina, apropriou-se de conhecimentos da ciência médica para estabelecer um parâmetro dessa situação. Buscando na movimentação dos músculos cardíacos na tarefa de receber o sangue venoso para depois impelir o sangue arterial, através da sístole e diástole, como figura ilustrativa do seu pensamento.

Detentor de excelente formação intelectual e reconhecidamente sagaz, provido de inteligência incomum, o ex-chefe da casa civil do governo Geisel - mentor da abertura lenta e gradual - costumava justificar o enfeixamento do poder nas mãos do presidente da república, comparando esse comportamento político / administravo de um país aos movimentos do coração.

Sugeria que na sístole, onde a retração do músculo cardíaco se manifesta por movimentos bruscos e sistemáticos, estaria a representar a concentração do poder nas mãos do chefe do executivo - em detrimento dos demais poderes.

Diante dos últimos acontecimentos, não há como negar que o comportamento dos políticos recém eleitos ou reeleitos vestem com perfeição o figurino descrito pelo lendário militar, em qualquer um deles - ou, praticamente em todos.

À guisa de nosso conformismo restará aguardarmos resignadamente a ocorrência da diástole - momento que o músculo cardíaco relaxa e se descontrai permitindo o retorno do sangue venoso ao coração - mais ou menos como ocorre no restabelecimento da normalidade democrática, período que os demais poderes recuperam lenta e progressivamente a sua competência constitucional - quando permitido ou buscado, evidentemente.

Pelo sim ou pelo não, estamos a vivenciar interessante, por preocupante quadra da vida institucional sulamericana e o registro se torna oportuno - exclusivamente, como lembrança - para que a história, mais uma vez, não se repita sob o nosso auspício !
(publicado no Diário de Assis em 07/02/2007)
(publicado na Tribuna do Vale em 10/02/2007)

Todos os direitos reservados.